Israel justificou a proibição com o argumento de que jornalistas estrangeiros em Gaza poderiam revelar posições de tropas israelitas e colocá-las em risco. Outras justificações incluíram o facto de se tratar de uma zona de combate ativa, considerada demasiado perigosa.
Os responsáveis de grandes empresas de 'media' de todo o mundo pediram esta quinta-feira a Israel que levante a proibição a jornalistas estrangeiros de entrarem de forma independente e reportarem a partir da Faixa de Gaza.
Jornalista na Faixa de Gaza AP
"Estar no terreno é essencial. Permite aos jornalistas questionar as versões oficiais de todos os lados, falar diretamente com civis e relatar o que testemunham em primeira mão", refere o comunicado dos responsáveis editoriais sobre uma restrição em vigor desde o início da guerra em 2023 e que se mantém, mesmo com um cessar-fogo em vigor há mais de seis meses.
"É por isso que as organizações de notícias enviam os seus repórteres para o terreno, muitas vezes com grande risco pessoal", frisam os responsáveis editoriais dos maiores grupos de comunicação social do mundo.
Da BBC à CNN, passando pela MS NOW, da Reuters à agência alemã DPA e ao The Washington Post, os principais editores de mais de duas dezenas de organizações afirmam que o Governo israelita não respondeu até agora aos esforços para discutir a situação, questionando ainda as justificações apresentadas para a manutenção das restrições.
Inicialmente, Israel justificou a proibição com o argumento de que jornalistas estrangeiros em Gaza poderiam revelar posições de tropas israelitas e colocá-las em risco. Outras justificações incluíram o facto de se tratar de uma zona de combate ativa, considerada demasiado perigosa.
O exército israelita tem, ocasionalmente, levado jornalistas estrangeiros em visitas altamente controladas, mas os meios de comunicação social exigem acesso independente. Atualmente, "os combates mais intensos terminaram e existe um cessar-fogo", refere o comunicado dos editores.
"Os reféns regressaram a casa. Os jornalistas não representam uma ameaça para as tropas israelitas. Existe um mecanismo, ainda que restritivo, que permite a entrada e saída de trabalhadores humanitários do território. Porque não jornalistas?", questionam.
Já são várias as tentativas de ação judicial para obrigar à abertura do acesso, com a Associação da Imprensa Estrangeira, que representa os media internacionais em Israel, Gaza e na Cisjordânia, a aguardar uma decisão do Supremo Tribunal israelita sobre uma petição para acesso independente a Gaza.
A ação foi apresentada em 2024, mas a decisão tem sido sucessivamente adiada, mais recentemente em janeiro.
Com os jornalistas estrangeiros impedidos de entrar, a cobertura das condições no terreno tem sido assegurada apenas por jornalistas palestinianos locais. Embora a cobertura de guerra seja sempre difícil para qualquer repórter, os correspondentes palestinianos enfrentam também uma realidade pessoal direta, com casas destruídas e familiares mortos.
Quando o acesso a alimentos se tornou severamente limitado no ano passado, estes profissionais enfrentaram também a fome, a ponto de a agência France-Presse ter alertado, em julho, para a sobrevivência dos seus colegas palestinianos. A preocupação foi igualmente partilhada pela AP e pela Reuters relativamente aos jornalistas com quem colaboram em Gaza.
Os editores reforçaram hoje esse ponto no comunicado, sublinhando que "tal transferiu a responsabilidade de cobrir esta guerra devastadora e as suas consequências quase exclusivamente para os nossos colegas palestinianos".
"Não devem ter de suportar este fardo sozinhos e devem ser protegidos", defendem os editores, lembrando que as vidas dos jornalistas palestinianos têm também estado em risco devido a ações militares.
Mais de 200 jornalistas e profissionais de 'media' terão sido mortos, segundo dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas, um número muito superior ao registado noutros conflitos, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
O comunicado foi divulgado durante a Semana da Liberdade de Imprensa, que foi assinalada no texto. "A liberdade de imprensa é um valor fundamental em qualquer sociedade aberta. É tempo de acabar com os atrasos. Deixem-nos entrar em Gaza", apela-se.
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