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Os jornalistas estrangeiros têm sido impedidos de entrar livremente na Faixa de Gaza desde outubro de 2023.
O governo israelita insiste na sua recusa de entrada de jornalistas na Faixa de Gaza, segundo um documento enviado ao Supremo Tribunal, que deve decidir este assunto, que é discutido há mais de um ano.
Jornalista na Faixa de Gaza enfrenta restrições de acesso impostas pelo governo israelitaAP
"Apesar de uma mudança da situação de facto no terreno, a entrada de jornalistas (tanto estrangeiros como não estrangeiros) na Faixa de Gaza sem escolta (…) não deve ser autorizada", considerou o procurador, representante do governo, no documento dirigido ao tribunal e consultado pela AFP.
"Isto deve-se a razões de segurança, na base da posição das autoridades militares, que estimam que ainda existe um risco de segurança", acrescenta-se no texto.
A Associação da Imprensa Estrangeira (FPA, na sigla em Inglês) em Jerusalém, que conta com centenas de associados, recorreu à justiça em 2024, para conseguir entrar na Faixa de Gaza.
Após vários adiamentos processuais, o governo tinha solicitado um prazo até esta segunda-feira para responder formalmente à pretensão da FPA.
A resposta não surpreendeu. O ministro da Defesa, Israël Katz, já a tinha avançado no parlamento, em dezembro.
Os jornalistas estrangeiros têm sido impedidos de entrar livremente na Faixa de Gaza desde outubro de 2023.
Apenas tem sido autorizado, depois de análise caso a caso, um conjunto de repórteres a entrar no território devastado a acompanhar militares israelitas.
A FPA tem denunciado, por várias vezes, o uso de "táticas dilatórias para impedir a entrada de jornalistas" no território palestiniano, considerando que, assim, estes ficam "impedidos de cumprir os seus deveres jornalísticos", o que "entrava o direito do público à informação".
Apesar do acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, os tiros são diários na Faixa de Gaza. As autoridades do enclave quantificam em 420 os palestinianos mortos desde então, ao passo que as israelitas dão conta de três soldados mortos.
No texto que entrou ao Tribunal, o governo recorda que "um refém morto, Ran Gvili, continua na Faixa de Gaza".
Este polícia foi morto em 7 de outubro de 2023 e o seu corpo levado para a Faixa de Gaza.
É o único das 251 pessoas raptadas a não ter sido devolvido, conforme a primeira fase do acordo de cessar-fogo.
O Hamas afirma que não tem meios para localizar o seu corpo no meio dos escombros da Faixa de Gaza.
A resolução deste dossier é apresentada hoje pelos dirigentes de Jerusalém como um dos assuntos a resolver para se entrar na segunda fase do acordo.
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