Há ainda registos de centenas de feridos e mais de dois mil detidos
Pelo menos 45 pessoas morreram durante os protestos no Irão. Os dados são da organização não-governamental Iran Human Rights, que refere que oito destas são crianças e cinco são membros das forças de segurança.
Protestos no IrãoFoto AP/Ebrahim Noroozi
Segundo a mesma organização, outras centenas ficaram feridas e mais de dois mil foram detidas durante os distúrbios - que seguem para a 13ª noite consecutiva em 27 das 31 províncias. "As forças estatais usaram munições reais para reprimir os protestos e realizaram detenções em massa em algumas cidades", lê-se num comunicado. "A organização Iran Human Rights considera o uso de armas militares um crime internacional e exige resposta."
Vários vídeos mostram as forças de segurança a atirarem gás lacrimogéneo contra os manifestantes enquanto estes entoavam cânticos.
Segundo a Iran Human Rights, as "Nações Unidas e a comunidade internacional têm a responsabilidade de agir para impedir o assassinato em massa de manifestantes". O secretário-geral da ONU, António Guterres, entretanto já comentou o sucedido e disse estar "profundamente entristecido com as notícias de mortes e feridos resultantes dos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes". "Todos os indivíduos devem ter permissão para protestar pacificamente e expressar as suas queixas", disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em declarações aos jornalistas.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando os comerciantes decidiram sair às ruas da capital para expressar a sua indignação. Tudo começou quando o valor da moeda iraniana caiu em relação ao dólar americano: o rial atingiu um mínimo histórico no último ano e a inflação disparou para 40%. As sanções impostas por vários países devido ao programa nuclear iraniano acabou por pressionar ainda mais economia já fragilizada - marcada pela má gestão e corrupção. Foi então que os estudantes universitários se decidiram juntar aos protestos, que se começaram a espalhar para outras cidades.
Devido ao caos que se instalou e ao número de mortes que já haviam sido anunciadas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir. Disse que se houvesse mais mortos, os norte-americanos estariam "prontos para agir".
No dia seguinte às declarações de Trump, o líder supremos do Irão - o aitolá Ali Khamenei - disse que "os manifestantes violentos deviam ser colocados nos seus devidos lugares" e jurou não "ceder ao inimigo". O chefe da justiça do Irão, Gholamhossein Mohseni Ejei, por sua vez, fez coro dos comentários. Na segunda-feira afirmou que as autoridades ouviriam aqueles que "têm preocupações sobre o seu sustento", mas que não seriam tolerantes quanto aos "manifestantes violentos".
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