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O que se sabe sobre os protestos no Irão contra o aumento da inflação que já fizeram 20 mortos

Gabriela Ângelo
Gabriela Ângelo 05 de janeiro de 2026 às 12:28
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Uma taxa de inflação superior a 40%, com os alimentos a quase duplicarem o valor em menos de um ano levaram milhares a protestar nas ruas.

No último mês o Irão tem sido alvo dos maiores protestos desde 2022 - após a morte de Mahsa Amini, a jovem de 22 anos que foi detida e morta sob custódia policial por alegadamente se recusar a usar o hijab ou a tapar o cabelo. Agora, o motivo por trás dos protestos é a economia fragilizada da república islâmica depois de um rial iraniano ter atingido o valor de 1,42 milhões riais por dólar. 

Protestos no Irão face ao aumento da inflação faz 20 mortos
Um rial iraniano chegou ao 1,42 milhões por dólar.
Homem faz compras num supermercado no Irão
Pessoas cruzam rua em Teerão, Irão, durante protestos sobre a inflação
Maleta com notas e moedas no Irão, face à inflação e aos protestos
Homem faz compras num supermercado no Irão, enquanto decorrem protestos contra a inflação

Segundo a agência norte-americana Associated Press (AP), a rápida desvalorização está a agravar a pressão inflacionária, havendo um aumento dos preços dos alimentos e outros bens de primeira necessidade. De acordo com o centro de estatísticas nacional, a taxa de inflação em dezembro subiu para 42,2% em relação ao mesmo período do ano passado e é 1,8% superior à de novembro. Os preços dos alimentos subiram 72% e os produtos de saúde e medicamentos aumentaram 50% em relação a dezembro do ano passado. 

Sanções económicas aplicadas devido ao programa nuclear

Teerão ainda está a recuperar da guerra de 12 dias iniciada por Israel em junho do ano passado que levou ao bombardeamento das instalações nucleares iranianas pelos Estados Unidos. A pressão económica sentida atualmente intensificou-se a partir de setembro quando as Nações Unidas voltaram a impor sanções ao país devido ao seu programa nuclear, o que resultou numa queda do rial. 

Origem dos protestos

O colapso do rial levou a que o país mergulhasse numa crise económica cada vez mais profunda. Os preços da carne, do arroz e outros alimentos básicos têm aumentado de preço e o Irão tem enfrentado uma taxa de inflação anual de cerca de 40%. Uma revisão dos preços a cada três meses ditada pelo governo pode levar a aumentos ainda mais significativos. 

Os protestos começaram com os comerciantes da capital iraniana e rapidamente se espalharam para o resto da população indignada com o custo de vida. Apesar de ter como foco as questões económicas do país, slogans anti governo foram acrescentados aos protestos. Um descontentamento com os líderes nacionais tem se vindo a sentir desde 2022 com a morte da jovem Mahsa Amini, que despoletou protestos por todo o mundo. 

Dimensão dos protestos

A dimensão dos protestos tem sido difícil de compreender face à pouca informação divulgada pelos meios de comunicação estatais. No entanto, as manifestações já se expandiram a 220 locais em 26 das 31 províncias iranianas, pelo menos 20 pessoas já morreram e 990 foram presas, segundo relata a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos, citada pela AP. 

Mesmo depois de avisos por parte do líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, de que os manifestantes “devem ser colocados no seu lugar”, os protestos parecem não estar a abrandar. Esta segunda-feira, o chefe do poder judicial ordenou a atuação firme contra “manifestantes violentos”, no nono dia de protestos, embora tenha reconhecido o direito à manifestação. 

Donald Trump já avisou que os Estados Unidos estão “prontos para agir” se o Irão matar manifestantes. Numa publicação na rede social Truth Social o líder norte-americano diz que “se o Irão disparar e matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos da América irão socorrê-los”. 

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