Uma taxa de inflação superior a 40%, com os alimentos a quase duplicarem o valor em menos de um ano levaram milhares a protestar nas ruas.
No último mês o Irão tem sido alvo dos maiores protestos desde 2022 - após a morte de Mahsa Amini, a jovem de 22 anos que foi detida e morta sob custódia policial por alegadamente se recusar a usar o hijab ou a tapar o cabelo. Agora, o motivo por trás dos protestos é a economia fragilizada da república islâmica depois de um rial iraniano ter atingido o valor de 1,42 milhões riais por dólar.
Segundo a agência norte-americana Associated Press (AP), a rápida desvalorização está a agravar a pressão inflacionária, havendo um aumento dos preços dos alimentos e outros bens de primeira necessidade. De acordo com o centro de estatísticas nacional, a taxa de inflação em dezembro subiu para 42,2% em relação ao mesmo período do ano passado e é 1,8% superior à de novembro. Os preços dos alimentos subiram 72% e os produtos de saúde e medicamentos aumentaram 50% em relação a dezembro do ano passado.
Sanções económicas aplicadas devido ao programa nuclear
Teerão ainda está a recuperar da guerra de 12 dias iniciada por Israel em junho do ano passado que levou ao bombardeamento das instalações nucleares iranianas pelos Estados Unidos. A pressão económica sentida atualmente intensificou-se a partir de setembro quando as Nações Unidas voltaram a impor sanções ao país devido ao seu programa nuclear, o que resultou numa queda do rial.
Origem dos protestos
O colapso do rial levou a que o país mergulhasse numa crise económica cada vez mais profunda. Os preços da carne, do arroz e outros alimentos básicos têm aumentado de preço e o Irão tem enfrentado uma taxa de inflação anual de cerca de 40%. Uma revisão dos preços a cada três meses ditada pelo governo pode levar a aumentos ainda mais significativos.
Os protestos começaram com os comerciantes da capital iraniana e rapidamente se espalharam para o resto da população indignada com o custo de vida. Apesar de ter como foco as questões económicas do país, slogans anti governo foram acrescentados aos protestos. Um descontentamento com os líderes nacionais tem se vindo a sentir desde 2022 com a morte da jovem Mahsa Amini, que despoletou protestos por todo o mundo.
Dimensão dos protestos
A dimensão dos protestos tem sido difícil de compreender face à pouca informação divulgada pelos meios de comunicação estatais. No entanto, as manifestações já se expandiram a 220 locais em 26 das 31 províncias iranianas, pelo menos 20 pessoas já morreram e 990 foram presas, segundo relata a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos, citada pela AP.
Mesmo depois de avisos por parte do líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, de que os manifestantes “devem ser colocados no seu lugar”, os protestos parecem não estar a abrandar. Esta segunda-feira, o chefe do poder judicial ordenou a atuação firme contra “manifestantes violentos”, no nono dia de protestos, embora tenha reconhecido o direito à manifestação.
Donald Trump já avisou que os Estados Unidos estão “prontos para agir” se o Irão matar manifestantes. Numa publicação na rede social Truth Social o líder norte-americano diz que “se o Irão disparar e matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos da América irão socorrê-los”.
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