O Governo declarou que as ações de violência “excediam os limites das manifestações pacíficas e eram consideradas sabotagem organizada”.
O Irão convocou esta segunda-feira os representantes diplomáticos da Alemanha, França, Itália e Reino Unidos em Teerão para protestar contra o apoio dos quatro países aos manifestantes iranianos, anunciou o Governo da República Islâmica.
Irão: manifestantes queimam bandeira e mostram cartazes em protestoFoto AP/Michel Euler
A iniciativa foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano num comunicado difundido pela televisão estatal, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
“Confirmamos a convocação de embaixadores europeus”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês à AFP.
Durante a reunião com os diplomatas europeus, o Governo iraniano exibiu um vídeo que disse documentar a “violência dos desordeiros” e exigiu que fossem retiradas as “declarações oficiais de apoio aos manifestantes”.
Em imagens divulgadas pela televisão iraniana, viam-se os diplomatas sentados em frente a um ecrã gigante, de acordo com a AFP.
O Governo declarou que as ações de violência “excediam os limites das manifestações pacíficas e eram consideradas sabotagem organizada”, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, citada pela espanhola Europa Press (EP).
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão solicitou aos diplomatas que transmitissem as imagens aos respetivos governos.
“Qualquer apoio político ou mediático é inaceitável e uma clara ingerência na segurança interna do Irão”, disse o ministério aos representantes europeus, segundo a Tasnim.
Os protestos dos últimos dias causaram mais de 500 mortos e milhares de detidos, de acordo com organizações civis iranianas.
As manifestações também foram marcadas por um corte do serviço de Internet pelas autoridades iranianas, que já supera as 84 horas, segundo uma organização que acompanha a conectividade a nível internacional, especialmente em contextos de conflito ou crise.
A queda do poder de compra de milhões de iranianos, afetados pela crise económica e por quedas históricas do valor da moeda nacional, o rial, está na origem dos protestos na República Islâmica.
Os protestos ocorrem num momento de aumento das sanções dos Estados Unidos que, juntamente com Israel, voltaram a visar o programa nuclear iraniano, incluindo bombardeamentos como os de junho de 2025, que mataram mais de 1.100 pessoas.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mostraram-se “profundamente preocupados com os relatórios de violência por parte das forças de segurança iranianas”.
Os três líderes condenaram a morte de manifestantes num comunicado conjunto citado pela EP.
“As autoridades iranianas têm a responsabilidade de proteger a própria população e devem respeitar o direito à liberdade de expressão e à manifestação pacífica sem medo da repressão”, afirmaram.
Merz, Macron e Karmer apelaram ao regime iraniano para se abster da violência e “defender os direitos fundamentais dos cidadãos do Irão”.
Em Roma, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, apelou hoje ao Irão “para que não utilize a pena de morte como ferramenta para reprimir as manifestações”.
Grupos parlamentares italianos solicitaram que o Governo informe o parlamento sobre a evolução da situação no Irão e a posição do executivo perante os últimos acontecimentos.
Tajani disse que a Itália continua a vigiar a situação e apelou às autoridades iranianas para que garantam a proteção dos direitos humanos dos manifestantes.
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