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Irão: Período negocial de 60 dias começa esta quinta-feira, declara JD Vance

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JD Vance disse que planeia participar no processo negocial, a decorrer na Suíça, levantando a hipótese de viajar já no próximo fim de semana.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, indicou que o prazo de 60 dias de negociações de um acordo de paz final com o Irão, incluindo o programa nuclear iraniano e as sanções contra Teerão, começou esta quinta-feira.

JD Vance falou após a  assinatura do memorando de entendimento
JD Vance falou após a assinatura do memorando de entendimento Manuel Balce Ceneta/AP

Em conferência de imprensa na Casa Branca, o líder norte-americano disse que “o prazo de 60 dias começou oficialmente hoje”, no seguimento da assinatura do memorando de entendimento, que estabelece o quadro negocial entre os dois países

“Penso que, tecnicamente, a assinatura ocorreu hoje, à hora do Irão. Portanto, sim, o acordo começou ontem [quarta-feira] e vamos começar a contar o prazo de 60 dias a partir de hoje", declarou.

JD Vance disse que planeia participar no processo negocial, a decorrer na Suíça, levantando a hipótese de viajar já no próximo fim de semana.

"Esse ainda é o plano, mas pode mudar, porque não é fácil obter respostas de um país como o Irão, por isso vamos tentar descobrir exatamente quando é que isso vai acontecer. Imagino que seja este fim de semana, mas não tenho a certeza", afirmou.

O vice-presidente instou Israel a respeitar o processo de paz iniciado com o Irão, que exigiu que o fim das hostilidades no Líbano entre as forças israelitas e o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, seja abrangido pelo cessar-fogo total na região.

“Israel tem o direito de se defender, mas, fundamentalmente, os israelitas — como todos os outros — devem respeitar este processo de paz, que é essencialmente benéfico tanto para eles como para toda a região", sustentou.

JD Vance fez alusão à secção sobre o Líbano no texto do memorando por se tratar de um acordo sobre "paz regional", o que implica que as milícias do Hezbollah "não lançarão ‘rockets’ ou drones contra israelitas e, por sua vez, os israelitas não agirão de forma imprudente" no país vizinho, onde expandiram a sua ocupação terrestre nos últimos três meses.

O vice-presidente norte-americano reconheceu uma "crescente frustração" por parte do líder da Casa Branca, Donald Trump, em relação à campanha militar de Israel no Líbano.

"Quando parece que estamos prestes a alcançar um grande avanço no acordo, de repente ocorre uma enorme explosão numa área civil de Beirute e muitas pessoas que não têm qualquer ligação com o Hezbollah perdem a vida", criticou.

Apesar disso, considerou que houve progressos na contenção das hostilidades na região, com "menos disparos e menos ataques", mas prevê que "pequenos surtos de violência ocorrerão de tempos a tempos" e que precisarão de ser "geridos através do processo diplomático" e não pela força.

Em relação à preocupação expressada pelo Governo israelita com entendimento alcançado com Teerão, que provocou também fortes críticas da oposição, JD Vance afirmou que "o problema para Israel não é Donald J. Trump", que é "o único chefe de Estado no mundo inteiro que simpatiza com a nação de Israel neste momento, e por acaso é o chefe de Estado da maior superpotência mundial".

Nesse sentido, o dirigente republicano sugeriu, que se fizesse parte do executivo israelita, “talvez não estivesse a atacar o seu único aliado poderoso” que resta no mundo inteiro, referindo, que, nos últimos três meses, dois terços das armas defensivas que protegeram Israel "foram fabricadas por americanos e pagas com o dinheiro dos contribuintes americanos".

Israel avisou esta quinta-feira que não prevê uma retirada total do sul do Líbano, o que o Irão considera uma violação do entendimento que pode torná-lo nulo e sem efeito, segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Esmail Baghaei afirmou na quarta-feira que “os mísseis iranianos foram feitos para serem disparados, não negociados", em alusão ao programa de armas de longo alcance iranianos que está omisso no memorando.

Na conferência de imprensa desta quinta-feira na Casa Branca, o vice-presidente norte-americano defendeu o direito do Irão de manter um programa de mísseis, argumentando que permite ao país proteger a sua integridade territorial e que não se pode dizer a Teerão que "não se pode defender", tal como Israel.

Vance alegou também que ao longo da guerra, lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, foi destruído "um número substancial" de mísseis balísticos iranianos e o que Washington procura é impedir Teerão de "construir o tipo de mísseis que podem ameaçar o mundo", referindo-se ao armamento nuclear.

O vice-presidente defendeu que a administração norte-americana não precisa de aprovação do Congresso para certos aspetos de um futuro acordo final com o Irão, apesar de vários representantes, incluindo republicanos, exigirem que qualquer entendimento seja submetido a revisão e votação parlamentar.

"Há certas medidas que não requerem a aprovação do Congresso. Estamos bastante confiantes de que podemos suspender estas sanções temporariamente sem ter de recorrer ao Congresso para obter autorização", declarou, a propósito de um dos temas mais sensíveis do texto.

O memorando de entendimento, assinado por Donald Trump na quarta-feira durante um jantar no Palácio de Versalhes, após a cimeira do G7 em França, estipula a reabertura imediata do estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

O acordo estabelece ainda o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e abre um período de 60 dias de negociações centradas no programa nuclear da República Islâmica e diluição do urânio enriquecido, em troca do levantamento total de sanções a Teerão - que pode começar desde já a comercializar produtos petrolíferos - e disponibilização dos fundos iranianos congelados no exterior.

O acordo prevê ainda um fundo de 300 mil milhões de dólares, a ser reunido com os parceiros regionais, para a reconstrução do Irão e que Vance insistiu esta quinta-feira que não custará “um cêntimo” aos contribuintes norte-americanos.

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