COP 27: "Foi dado um passo muito curto para os habitantes do planeta"

SÁBADO/Lusa 20 de novembro
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A COP27 chegou a acordo mas a ONU lamentou a falta de planos para "reduzir drasticamente" emissões e a UE diz-se desiludida com falta de ambição para diminuir emissões de gases com efeito de estufa. Como medida verdadeiramente "histórica" só mesmo a aprovação do fundo para nações vítimas de condições climáticas extremas.

A conferência anual do clima da ONU aprovou este domingo um acordo que prevê a criação de um fundo para ajudar financeiramente os países "particularmente vulneráveis" que poderão sofrer com os danos climáticos. A decisão foi considerada como "histórica".

REUTERS
Apesar de muitos avanços e recuos - até porque houve momentos em que se chegou a pensar que os países não chegariam a um acordo - a resolução foi adotada por unanimidade em assembleia plenária, seguida de aplausos estrondosos.

A resolução enfatiza a "necessidade imediata de recursos financeiros novos, adicionais, previsíveis e adequados para ajudar os países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis" aos impactos "económicos e não económicos" das alterações climáticas.

Entre essas possíveis modalidades de financiamento está a criação de um "fundo de resposta a perdas e danos", uma reivindicação dos países em desenvolvimento. Esta foi uma das questões que esteve mais do que nunca no centro de debate, após as devastadoras inundações que atingiram recentemente o Paquistão e a Nigéria, quase inviabilizou a COP27.

Ainda assim, só foi colocada na ordem do dia num último momento, após relutância dos países ricos, e com a condição de que a questão de uma possível responsabilidade legal ou compensação fosse descartada.

"É assim que uma jornada nossa de 30 anos finalmente, esperamos, deu frutos hoje", disse a ministra do Clima do Paquistão, Sherry Rehman, que muitas vezes assumiu a liderança das nações mais pobres do mundo.

As modalidades de implementação do fundo terão de ser elaboradas por uma comissão especial, para serem adotadas na próxima COP28, no final de 2023, nos Emirados Árabes Unidos.

Mas se as questões ligadas às compensações monetárias ficaram decididas, aquilo que ficou de fora foram questões controversas como a meta para controlar a subida da temperatura, os cortes nas emissões de gases com efeito de estufa e a limitação gradual de combustíveis fósseis. Entretanto, já durante o periodo da manhã, o acordo teve de ser revisto.

"Não é tão forte quanto gostaríamos que fosse, mas não vai contra" aquilo que foi decidido na conferência climática da ONU do ano passado, disse o ministro do Clima norueguês, Espen Barth Eide.

O acordo inclui uma referência velada aos benefícios do gás natural como energia de baixa emissão, apesar de muitas nações apelarem a uma redução gradual da utilização do gás natural, que contribui para as alterações climáticas.

Ainda assim, o acordo mantém vivo o objetivo global de limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius, mas não prevê uma redução das emissões. Perante as decisões, a União Europeia disse estar desiludida com aquilo que considera ser "a falta de ambição na redução das emissões de gases com efeito de estufa".

"O que temos aqui é um passo muito curto para os habitantes do planeta. Não proporciona esforços adicionais suficientes por parte dos principais emissores para aumentar e acelerar as suas reduções de emissões", disse Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, num discurso inflamado depois de duas semanas de conferência no Egito.

Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou que as negociações ficaram aquém do necessário, numa altura em que "precisamos de reduzir drasticamente as emissões [de gases com efeito de estufa] agora - e essa é uma questão a que esta COP não respondeu".

A 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas começou em 06 novembro e terminou hoje em Sharm-el-Sheik, no Egito, juntando mais de 35 mil participantes, nomeadamente vários líderes de países, com cerca de duas mil intervenções sobre mais de 300 tópicos.
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