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"America First" ou intervencionismo? A divergência republicana sobre a Venezuela

Com uma opinião pública dividida sobre a intervenção na Venezuela, há algumas vozes republicanas nos EUA que não estão do lado de Trump.

Sábado passado, , incluindo bombardeiros e caças norte-americanos, entraram na Venezuela e levaram a cabo ataques aéreos que atingiram locais como o porto de La Guaira ou o aeroporto de Higuerote, em Miranda. As forças militares norte-americanas acabaram por sequestrar o presidente Nicolás Maduro e a sua mulher, Cília Flores, que foram presentes a um juiz num esta segunda-feira. Apesar do executivo estar em peso com Trump, há membros do Partido Republicano que não estão alinhados com a operação.

Marjorie Taylor Greene está de saída do Congresso
Marjorie Taylor Greene está de saída do Congresso AP

Marjorie Taylor Greene

É uma das caras mais conhecidas do movimento MAGA (Make American Great Again) e congressista demissionária republicana pela Georgia que nos últimos meses tem entrado em confronto direto com Donald Trump, desavenças relacionadas com assuntos como política externa ou os . Recentemente, tem abraçado um movimento crescente entre as hostes republicanas, denominado America First. Numa na rede social X, Taylor Green volta a afastar-se do rumo da administração Trump, tecendo duras críticas à operação na Venezuela. Entre os argumentos, e são vários, estão os seguintes: "Se processar narcoterroristas é uma grande prioridade, porque é que o presidente Trump perdoou o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, que foi condenado a 45 anos de prisão por tráfico de centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos?”; ou "Porque é que é aceitável que os EUA invadam militarmente, bombardeiem e prendam um líder estrangeiro, mas a Rússia é considerada má por invadir a Ucrânia e a China é vista como má por agredir Taiwan?".

Sobre a política internacional, a ex-congressista defende: "A mudança de regime, o financiamento de guerras estrangeiras e o dinheiro dos impostos americanos a ser constantemente canalizado para causas estrangeiras, estrangeiros (tanto no país como no estrangeiro) e governos estrangeiros, enquanto os americanos enfrentam um custo de vida, habitação e saúde cada vez maior, além de descobrirem golpes e fraudes com os seus impostos, é o que mais enfurece os americanos".

Thomas Massie

Congressista republicano do Kentuchy, Thomas Massie tem um histórico de desavenças com Donald Trump, desde política externa à chamada One Big Beautiful Bill. E a discussão entre os dois é bastante mediática, já que trocam amargos galhardetes nas redes sociais. Por exemplo, em junho, na sua rede , Trump escreveu que “o movimento MAGA devia livrar-se deste perdedor patético, Tom Massie, como se fosse uma praga!”. E sobre a Venezuela, Massie na rede social X: “Acordem, apoiantes MAGA! A Venezuela não tem nada a ver com droga; tem a ver com o petróleo e a mudança de regime. Não foi para isso que votámos”. Noutra recente, acusou Trump de atropelar a Constituição, dizendo que "os Fundadores atribuíram o poder de declarar guerra ao Congresso e não ao poder executivo”.

Lisa Murkowski

Menos disruptiva, mas algo cética, a senadora republicada Lisa Murkowski, do Alasca, também recorreu à para partilhar o seu ponto de vista sobre a operação militar na Venezuela. Sublinhando que não reconhece Nicolás Maduro como o legítimo presidente do país, classificando-o de ditador, a senadora não está segura de que todos os procedimentos tenham sido corretamente enquadrados com a legislação: “Embora tenha esperança de que as ações desta manhã tenham tornado o mundo um lugar mais seguro, a forma como os Estados Unidos conduzem as operações militares, bem como a autoridade sob a qual essas operações ocorrem, é importante. Quando o Senado regressar a Washington na próxima semana, o Congresso foi informado de que receberá briefings adicionais da administração sobre este âmbito, os objetivos e a base jurídica destas operações”.

E o que acham os eleitores?

A propósito, o Washington Post perguntou a uma amostra de mil norte-americanos sobre o que acham das ações dos EUA na Venezuela e compilou os resultados num publicado esta segunda-feira.

A sondagem revelou que o país está dividido entre o aprovar (40%) e o desaprovar (42%) do envio de forças para capturar Maduro. 18% revelaram-se indecisos, mas há um dado bastante claro nos resultados: há uma divisão nas reações quando se tem em conta a filiação partidária. Ou seja, 74% dos republicados aprovam a operação de sábado na Venezuela, enquanto 76% dos democratas desaprovam. Relativamente aos independentes, 42% discordam da intervenção, 34% aprovam e 24% não toma posição.

Sobre se deveria ter sido aprovada pelo Congresso, 63% dos inquiridos acha que sim e 37% acha que não, respostas que, mais uma vez, separam Democratas e Republicanos. Apenas 6% dos Democratas consideram que a questão deveria ter passado pelo Congresso, mas 76% dos Republicanos dizem que não seria necessário. Aqui a grande diferença está nas mãos dos independentes: 70% defendem que o Congresso deveria ter sido consultado.

Quanto a outras questões abordadas neste inquérito, em termos globais, 50% dos norte-americanos está a favor do julgamento de Maduro; apenas 24% aprovam a tomada de controlo da Venezuela pelos EUA e a escolha de um novo governo; e a esmagadora maioria, 94%, acredita que deve ser o povo venezuelano a decidir a futura liderança do seu país.

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