O primeiro-ministro referiu que Portugal pode, no entanto, contribuir para a força de paz de outras formas.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reiterou esta terça-feira que a participação de militares portugueses numa futura força de manutenção de paz na Ucrânia só será decidida mais tarde e apenas se for necessário.
Luís Montenegro equaciona envio de militares para a UcrâniaMANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião da chamada Coligação da Boa Vontade, em Paris, o chefe do Governo garantiu que tal decisão será colocada "no processo de decisão interna".
"Eu não estou com isto a adiantar que vamos chegar a esse ponto, porque pode nunca ser necessário, mesmo no contexto de uma paz consolidada", vincou.
O primeiro-ministro referiu que Portugal pode contribuir para a força de paz de outras formas, como "do ponto de vista logístico, do ponto de vista do treino, da formação, do ponto de vista de estruturas de comando, do ponto de vista da participação com incidência nos meios aéreos e nos meios marítimos".
"O que eu assumi perante todos os nossos parceiros e aliados é que Portugal estará sempre à altura das suas responsabilidades", acentuou.
Montenegro excluiu a presença de tropas portugueses em território ucraniano enquanto houver guerra, mas admitiu, "no futuro", uma participação das Forças Armadas portuguesas numa "equipa multinacional que possa estar alocada a uma missão de paz".
O primeiro-ministro disse que esse cenário apenas se coloca após um cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia.
"Se for esse o caso, colocaremos no processo de decisão interna essa questão porque Portugal tem sido, em todas as ocasiões, um parceiro solidário com a sua participação em forças de paz, como acontece já hoje, no flanco leste, com uma participação na Eslováquia, na Roménia", recordou.
Copresidida por pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, a cimeira de hoje no Palácio do Eliseu contou com a presença de representantes dos membros da Coligação, incluindo 27 chefes de Estado e de Governo, após a videoconferência realizada no passado dia 11 de dezembro.
Luís Montenegro considerou que "o balanço é muitíssimo positivo" tendo em conta a participação, pela primeira vez, dos Estados Unidos, numa delegação liderada pelo enviado especial do Presidente norte-americano para a Ucrânia, Steve Witkoff, bem como do o genro de Donald Trump, Jared Kushner.
A chamada Coligação da Boa Vontade, também designada por Coligação dos Voluntários ou Coligação dos Dispostos, foi criada em Paris na primavera passada pela França e pelo Reino Unido para ajudar a Ucrânia, juntando 35 países, incluindo a maioria dos Estados europeus, o Canadá, Austrália, Japão e Turquia.
Entre os participantes na cimeira encontrava-se ainda o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O secretário de Estado, Marco Rubio, cancelou a viagem à capital francesa devido à operação norte-americana na Venezuela.
O encontro ficou também ensombrado pelas ambições de Trump de anexar a Gronelândia, território autónomo que faz parte do reino da Dinamarca.
Portugal e outros países aliados defenderam hoje a soberania da ilha que depende da Dinamarca, numa declaração conjunta em que afirmaram que a segurança do Ártico é "uma prioridade" para a Europa.
Na agenda da reunião estava previsto discutir-se formas de monitorizar um eventual cessar-fogo na Ucrânia; o apoio às forças armadas ucranianas; a mobilização de uma força multinacional por terra, mar e ar; compromissos em caso de novas agressões por parte da Rússia; e cooperação a longo prazo com a Ucrânia em matéria de defesa, indicou o Eliseu.
A cimeira foi precedida por uma reunião, também em Paris, entre os chefes do Estado-Maior da França, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos para debater e tentar concretizar as garantias de segurança na Ucrânia.
Montenegro admite militares portugueses na Ucrânia apenas se for necessário
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