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Alemanha diz que saída de tropas dos EUA não afeta capacidade dissuasora da NATO na Europa

O chefe da diplomacia germânica encara a saída do país de 5.000 soldados norte-americanos como um "novo apelo" para o país desenvolver as suas próprias capacidades militares.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, afirmou esta segunda-feira que a capacidade dissuasora da NATO na Europa não será reduzida, apesar dos planos dos Estados Unidos (EUA) para reduzir o número de tropas em solo alemão.

Johann Wadephul, MNE alemão, responde à decisão de Trump de retirar milhares de soldados da Alemanha
Johann Wadephul, MNE alemão, responde à decisão de Trump de retirar milhares de soldados da Alemanha Petros Giannakouris

"Não tenho dúvidas de que não haverá redução na capacidade de dissuasão da NATO na Europa", disse Wadephul, durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo grego, Yorgos Yerapetritis, em Atenas.

O Governo alemão quer "envolver-se num diálogo próximo" com os EUA após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump. É necessário "um diálogo próximo com os Estados Unidos para esclarecer que decisão foi realmente tomada e quais são as possibilidades para exercer influência", disse o chefe da diplomacia alemã.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que planeia reduzir drasticamente o número de tropas norte-americanas estacionadas na Alemanha, após anunciar uma redução de 5.000 efetivos. O chanceler alemão, Friedrich Merz, também pareceu confirmar no domingo que o planeado lançamento de mísseis de cruzeiro de alcance intermédio Tomahawk na Alemanha já não estava em cima da mesa, pelo menos por agora.

"Devemos ver isto como um novo apelo para desenvolver as nossas próprias capacidades mais rapidamente e torná-las disponíveis", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão sobre os planos dos EUA. "Não há outra maneira", reforçou, antes de insistir: "O contexto geral mostra-me que não devemos sobrestimar medidas isoladas".

Os Estados Unidos anunciaram que 5.000 soldados seriam transferidos de bases militares norte-americanas na Alemanha.

Johann Wadephul e outros responsáveis alemães tentaram nos últimos dias acalmar uma disputa entre Donald Trump e Friedrich Merz, que considerou que "os americanos (tinham) visivelmente nenhuma estratégia" no Irão e que Teerão estava a "humilhar" a principal potência mundial.

Donald Trump também atacou indiretamente a Alemanha e as suas importantes exportações de automóveis ao anunciar que queria aumentar os direitos aduaneiros sobre veículos importados para os Estados Unidos a partir da União Europeia (UE) para 25% "na próxima semana".

O Presidente norte-americano acusa a UE de não respeitar o acordo comercial alcançado no verão passado, quando o processo de validação ainda não foi concluído dentro do bloco de 27 países.

Wadephul não comentou diretamente as mais recentes declarações do Presidente dos EUA.

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