Ex-melhor amigo do patrão da Ongoing promete revelações sobre "o artista"

Ex-melhor amigo do patrão da Ongoing promete revelações sobre 'o artista'
Bruno Faria Lopes 09 de junho

Rafael Mora, figura-chave na Ongoing de Nuno Vasconcellos, é ouvido esta quarta-feira no Parlamento. Diz que saltou do barco em chamas por "não ter vocação suicida", que Vasconcellos fintou os credores - e que está "no momento mais feliz" da vida.

Rafael Mora tinha acabado de sair de um almoço de família no restaurante das Azenhas do Mar – pendurado sobre o Atlântico perto do Cabo da Roca, nos arredores de Lisboa – quando respondeu ao contacto da SÁBADO. Estava numa disposição solar. "Estou no momento mais feliz da minha vida", contou o ex-vice-presidente da malograda Ongoing na véspera da sua inesperada audição na comissão parlamentar de inquérito sobre as perdas do Novo Banco. Os deputados, frustrados com o comportamento amnésico e desafiador do ex-patrão da Ongoing, Nuno Vasconcellos, esperam que Mora tenha melhor memória. O gestor espanhol garante que irá contar tudo o que sabe sobre as movimentações do "artista", como chamou ao longo da conversa com a SÁBADO ao seu ex-melhor amigo e parceiro numa das maiores histórias de ascensão e queda empresarial em Portugal: a do grupo Ongoing, cujo colapso deixou cerca de 1.200 milhões de euros em dívidas por pagar. Desse monumental calote, cerca de 520 milhões ficaram no Novo Banco.

Mora mantém intacta a capacidade de reduzir as barreiras com quem fala e de tentar criar um ambiente de proximidade. Tem hoje uma vida distante do frenesim e da influência que acumulou na primeira década do século. "Ainda bem", diz sem admitir fraqueza. Vive em Portugal desde 2018 – voltou do Brasil após ter saído da também malograda operadora brasileira de telecomunicações Oi, que foi detida pela PT – e gere um novo negócio de publicidade digital chamado InsureAds. "Tenho um sócio, com quem me dou muito bem, e sou dono da minha própria empresa", afirma. O sócio é André Parreira, que conheceu na Ongoing. O passado recente como "canalizador de luxo" – a forma como descreve a vida de desbloqueador de problemas que diz ter tido na Ongoing – ficou para trás.

Para trás ficou também a relação com o melhor amigo Vasconcellos, que vive atualmente no Brasil. "A última conversa que tive com ele foi num almoço em São Paulo, em 2014", diz. Foi o fim de uma parceria particular. Rafael Luís Mora Funes conheceu Nuno Vasconcellos – herdeiro da família rica Rocha dos Santos – no final dos anos 80 na consultora Andersen Consulting. Lançaram a filial portuguesa da Heidrick&Struggles, uma agência caçadora de talentos. Esta deu-lhes acesso à geração mais jovem e profissionalizada de gestores que foram colocando em várias empresas influentes (até Daniel Soares de Oliveira, director financeiro do Benfica, foi contratado através desta agência). E permitiu-lhes ganhar acesso a essas empresas, incluindo ao redesenho dos respetivos modelos de governação, como sucedeu na EDP e no BCP.

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