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BPCE paga mais 300 milhões para fechar compra do Novo Banco

Grupo francês tinha acordado a aquisição do banco liderado por Mark Bourke por 6,4 mil milhões de euros, mas o crescimento dos resultados ditaram uma revisão em alta do valor. O encaixe financeiro para o Estado sobe para 1.673 milhões de euros.

Está fechada a compra do Novo Banco. O BPCE é, a partir de agora, o dono de 100% do capital da instituição financeira que resultou a separação do BES “mau” do BES “bom”, mas para selar o acordo teve de desembolsar mais 300 milhões de euros do que inicialmente previsto. Em vez de 6,4 mil milhões, fruto do crescimento dos resultados do banco liderado por Mark Bourke, o “cheque” passou para 6,7 mil milhões de euros. O Estado recebe 1.673 milhões de euros.

CEO do BPCE, Nicolas Namias, e do Novo Banco, Mark Bourke
CEO do BPCE, Nicolas Namias, e do Novo Banco, Mark Bourke BPCE/Fabrice Vallon

Tendo em conta o mecanismo de preço de aquisição acordado, “o preço final de aquisição em 31 de dezembro de 2025 foi fixado em 6,5 mil milhões de euros, o que implica um múltiplo preço/lucros de 7,85 vezes, com base no lucro líquido de 2025 de 828 milhões de euros”, diz o BPCE. Mas “com o aumento do capital próprio do Novo Banco durante os primeiros quatro meses de 2026, o preço total de aquisição ascende a 6,7 mil milhões de euros em 30 de abril de 2026”.

Vendido ao fundo norte-americano Lone Star em 2017, que ficou com 75% do capital, sendo os restantes 25% propriedade do Estado (11,46%) e do FdR (13,54%), o Novo Banco acabou por ser negociado, no ano passado, com o BPCE por uma soma que o avaliava, à data, em 6,4 mil milhões, valor agora revisto.

1.673MilhõesCom a revisão em alta do valor de venda do Novo Banco, o encaixe financeiro para o Estado ascende a 1.673 milhões de euros.

Todos os detentores de capital vão, assim, receber um “cheque” mais avultado. Em comunicado, o Ministério das Finanças refere que considerando que o Estado Português e o Fundo de Resolução (FdR) detêm 25% do capital do Novo banco, "tal operação implicará um encaixe financeiro de 1.673 milhões de euros (906 milhões para o FdR e 766 milhões para ETF) para o Estado".

"Com o encaixe desta venda, a que se somam os dividendos já pagos pela instituição, o Estado português e o Fundo de Resolução conseguem recuperar cerca de 2 mil milhões de euros dos fundos injetados na instituição", acrescenta, com Miranda Sarmento a salientar que "concluímos esta operação com sucesso, salvaguardando o mais importante: a estabilidade do sistema financeiro português”.

O Banco de Portugal e o Fundo de Resolução, que era até agora acionista, sublinham que "a conclusão da venda ao Grupo BPCE e a integração do Novo Banco num grupo bancário europeu de referência, bem como a evolução positiva do sistema bancário português na última década — hoje mais capitalizado, mais resiliente, mais valorizado e atrativo para investidores credíveis — confirmam que foram cumpridos os objetivos do Banco de Portugal na defesa do interesse público".

O BPCE venceu a “corrida” à compra do Novo Banco com uma proposta financeira expressiva, acima daquela que estava a ser avançada, à data, por outra instituição que se mostrou interessada, o Caixabank, dono do BPI. O grupo francês superou a concorrência, reforçando a sua presença no mercado nacional.

“Estamos felizes e orgulhosos por dar as boas-vindas ao Novo Banco no BPCE e por reforçar o nosso compromisso de longo prazo com Portugal”, diz Nicolas Namias, CEO do BPCE, em comunicado. Recorde-se que a instituição gaulesa tem em Portugal o Banco Primus e também a financeira Oney, além de um centro financeiro no Porto.

Com esta operação, “demonstramos a nossa capacidade de concretizar operações relevantes de crescimento externo que fortalecem a nossa presença na Europa, em linha com o nosso projeto estratégico Vision 2030”, acrescenta o CEO, na mesma nota em que agradece o empenho das equipadas do BPCE e do Novo Banco no sucesso da transação, mas também às “autoridades portuguesas pela confiança depositada em nós durante todo este processo”.

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