PRISÃO

A vida às escondidas. Os judeus perseguidos pela PIDE

A vida às escondidas. Os judeus perseguidos pela PIDE
Marco Alves 18 de agosto

Nas décadas de 1930 e 40, e pela primeira vez em muito tempo, os judeus foram um problema em Portugal. A polícia política andava atrás deles e tentou devolver alguns à precedência. Foram meses (às vezes anos) de pressão e angústia até escaparem de vez.

Arménio Taveira Losa fez tudo o que estava ao seu alcance. Arquiteto portuense, com morada na avenida da Boavista, estava casado desde 1935 com Ilse Losa, judia alemã, que chegara no ano anterior a Portugal após a ascensão de Hitler. Ilse tinha já um irmão em Portugal, Fritz, mas outro, Ernst, ficara na toca do lobo. A 2 de janeiro de 1939, Arménio escreveu diretamente ao Ministro do Interior, segundo se pode ler no processo de Ernst Lieblich na PIDE, que a SÁBADO consultou na Torre do Tombo, em Lisboa.

Depois de se identificar, o arquiteto pedia ao ministro Mário Pais de Sousa que “seja concedida licença de desembarque e permanência no país a título de visita e como hóspede do requerente, durante um período de três meses a partir de março próximo, o seu cunhado Ernst Lieblich, estudante, de nacionalidade alemã, atualmente residente em Itália e portador de uma autorização de entrada nos Estados Unidos América [veremos mais à frente que não era propriamente verdade].”

Arménio Losa dizia que Lieblich já morara em Portugal “em 1933-34 chegando a possuir o respetivo bilhete de identidade” e reforçava que o cunhado não iria “recorrer a outrem ou solicitar qualquer espécie de auxílio material, pois o requerente toma inteira responsabilidade em facilitar-lhe todos os meios de que necessite para viver”.

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