Palácio de Buckingham acusado de discriminação racial na contratação de funcionários

Palácio de Buckingham acusado de discriminação racial na contratação de funcionários
Leonor Riso 02 de junho
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Imigrantes ou estrangeiros eram impedidos de desempenhar funções administrativas, mas não domésticas, até pelo menos ao fim dos anos 60.

Até pelo menos ao fim dos anos 60, os imigrantes ou estrangeiros eram impedidos de desempenhar funções administrativas no Palácio de Buckingham, para a família real britânica. A revelação foi feita esta quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian, com base em documentos encontrados no Arquivo Nacional. 

Richard Pohle/Pool via REUTERS
Funções como as de secretariado eram negadas a pessoas com base na sua etnia. Em 1968, o gestor financeiro de Isabel II informou os funcionários que "não era, de facto, prática escolher imigrantes de cor ou estrangeiros" para funções administrativas, mas podiam trabalhar em tarefas domésticas. 

Nos anos 70, o parlamento britânico acançou para leis contra a discriminação racial ou de género. Contudo, foram criadas excepções para a família real através de um mecanismo chamado "consentimento da Rainha", um procedimento parlamentar através do qual a monarca influencia o conteúdo das leis do Reino Unido. Desta forma, uma pessoa que se tivesse sentido discriminada não podia recorrer à Justiça. 

Segundo o The Guardian, não se sabe quando é que esta excepção caiu. O Palácio de Buckingham tem registos que revelam a contratação de pessoas de minorias étnicas nos anos 90. Segundo a mesma fonte, antes dessa altura não se incluía informação acerca da etnia dos funcionários. 

Numa entrevista dada em março, Meghan Markle, duquesa de Sussex e mulher do príncipe Harry, afirmou que um membro da família real tinha expressado preocupações sobre "quão escura" seria a pele de Archie, o primeiro filho do casal. 
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