António Lobo Antunes morreu aos 83 anos. Vozes da literatura e antigos políticos portugueses lamentam a perda de "um grande talento".
"A obra de António Lobo Antunes deixa-nos um entendimento do mundo, da vida, do que é ser português. Havia muita beleza nas palavras dele", diz à SÁBADO a escritora Dulce Maria Cardoso sobre a morte do autor de Conhecimento do Inferno. Considerado uma das maiores vozes da literatura portuguesa, António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 83 anos.
antónio lobo antunes Miguel Barreira
A escritora e jornalista Alice Vieira recorda o amigo como sendo um dos "maiores escritores, não só em Portugal, mas também noutros países onde foi traduzido". "Desde que o António ficou com demência que nunca mais estivemos juntos. Ele às vezes perdia-se e era muito difícil", lamenta. Alice Vieira evoca ainda o "mau feitio" do escritor, mas afirma que o mais importante é a "obra que fica" e confessa: "Li tudo o que ele escreveu, não há nenhum livro de que eu não goste".
O antigo ministro da cultura João Soares diz nutrir "uma real admiração" por Lobo Antunes e revela que tinham alguns amigos em comum, apesar de não serem próximos. "Deu-se muito bem com o meu pai [Mário Soares] na fase final da sua vida. O cantor Vitorino, amigo de Lobo Antunes, contribuiu para isso", acrescenta.
"Era um escritor que fez o que fazem os grandes escritores: abrir novos caminhos"
O escritor português João Tordo recorda ter lido três romances de Lobo Antunes, OsCus de Judas, Conhecimento do Inferno e Exortação aos crocodilos, e lamenta "a morte de um escritor que fez o que fazem os grandes escritores fazem: abrir novos caminhos". "Há muitos escritores portugueses que aprenderam com ele, da minha geração e de gerações subsequentes", refere ainda.
"É um grande talento que desaparece"
Apesar de nunca ter chegado a conhecer pessoalmente Lobo Antunes, a escritora Isabela Figueiredo refere que é "um grande talento que desaparece" e confessa: "Li a sua obra e fui influenciada por ele". Além disso, recorda um episódio que a marcou: "Quando saiu o meu livro, A Gorda, [António Lobo Antunes] ligou à minha editora a elogiar-me. Fiquei extremamente orgulhosa".
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