Santos Silva: Processo para escolher cinco postos de topo da UE é sempre "muito complexo"

Lusa 01 de julho de 2019
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As discussões foram suspensas até terça-feira, dia 2, mas as negociações ainda vão continuar. Reuniões servem para escolher cargos de topo da UE.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português admitiu hoje que a escolha dos cinco lugares de topo na União Europeia é um processo "muito complexo", lembrando que as discussões foram suspensas até terça-feira mas as negociações ainda vão continuar.

Este "é um processo que é sempre muito complexo porque implica o acordo entre o Conselho Europeu, onde estão representados os governos, e o Parlamento Europeu, onde estão representados os partidos", afirmou Augusto Santos Silva à margem de um almoço-conferência da Associação de Amizade Portugal-EUA, no qual participa hoje.

Segundo explicou, é "preciso um entendimento" no Conselho Europeu, onde "há governos liderados por conservadores, por democratas-cristãos, por sociais-democratas, socialistas e liberais".

Além disso, no Parlamento Europeu, "o partido que tem mais deputados na legislatura que agora se inicia tem menos de um quarto dos deputados e para formar uma maioria simples é preciso o recurso de três famílias políticas: os populares, os socialistas e os liberais".

Apesar de os trabalhos terem sido interrompidos, depois de 18 horas de negociações, "o processo de negociação continua", lembrou.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, decidiu suspender os trabalhos da cimeira extraordinária destinada à discussão das nomeações para os cargos de topo da União Europeia, com a reunião a ser retomada às 11:00 de terça-feira em Bruxelas.

"O presidente Tusk suspendeu a reunião e esta será retomada às 11:00" locais de terça-feira, menos uma hora em Lisboa, anunciou o porta-voz do dirigente, Preben Aamann, na sua conta na rede social Twitter.

O Conselho Europeu, reunido em Bruxelas desde o final da tarde de domingo, voltou hoje a falhar um acordo sobre as nomeações para os cargos institucionais de topo, incluindo a presidência da Comissão Europeia.

Ao cabo de 18 horas de discussões -- os chefes de Estado e de Governo chegaram à cimeira às 18:00 locais de domingo (17:00 em Lisboa) e estiveram reunidos a 28 mas também em encontros bilaterais e várias rondas de consultas, até às 12:20 de hoje -, o presidente do Conselho Europeu suspendeu os trabalhos face à impossibilidade de se chegar a um compromisso, a cerca de 48 horas de o Parlamento Europeu eleger o seu presidente.

Depois de já ter falhado um acordo na cimeira extraordinária de 20 de junho, o Conselho Europeu voltou a não entender-se em torno das soluções propostas, com vários líderes do Partido Popular Europeu (PPE) a oporem-se à solução negociada, em Osaka, no Japão, entre a chanceler alemã Angela Merkel (PPE), o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez (Socialistas) e o Presidente francês, Emmanuel Macron (Liberais), que previa a designação do socialista holandês Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia.

Fontes europeias indicaram que as últimas propostas sobre a mesa previam invariavelmente Timmermans como presidente do executivo comunitário, mas não houve entendimento sobre a distribuição dos restantes postos, incluindo os nomes da búlgara Kristalina Georgieva, do Partido Popular Europeu (PPE), para a presidência do Conselho Europeu, do alemão Manfred Weber (PPE) para a presidência do Parlamento Europeu, e do belga Charles Michel (Liberal) para Alto Representante da UE para a Política Externa.
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