Processo do BES já tem 35 arguidos

Processo do BES já tem 35 arguidos
Carlos Rodrigues Lima 31 de outubro de 2018

Investigação ao chamado "universo Espírito Santo" está a caminho de se tornar mais uma montanha de papel para os tribunais. Só da Suíça chegaram 760 caixotes com documentos e milhões de ficheiros informáticos.


Aberto em 2014, o processo que investiga suspeitas de crimes que levaram ao colapso do Banco Espírito Santo corre um sério risco de, à semelhança da Operação Marquês, se tornar numa nova montanha de papel que irá percorrer vários tribunais. O último levantamento estatístico feito pelos procuradores do caso revela que já há 35 arguidos (entre eles estão Ricardo Salgado, Morais Pires e Isabel Almeida), 178 pessoas foram ouvidas como testemunhas, sendo que o processo conta ainda com mais 252 inquéritos anexados (provavelmente queixas de lesados), dos quais resultaram 42 assistentes. Nos últimos anos, o Ministério Público realizou 106 buscas e avançou com onze arrestos de património, procurando assegurar um eventual futuro pagamento de indemnizações na ordem dos 1,8 mil milhões de euros.

A assustadora dimenensão do processo faz prever uma lenta caminhada para o futuro. Num despacho revelado pela SÁBADO, a equipa de procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), liderada por José Ranito, adiantou que só em Março do próximo ano é que a recolha e análise de prova ficarão concluídas. Isto porque, além do que foi recolhido em Portugal, as autoridades Suíças, segundo o mesmo documento, enviaram 706 caixotes com documentos e ainda milhões de ficheiros informáticos. Tendo em conta este panorama, os procuradores comunciaram ao director do DCIAP, Amadeu Guerra, que não conseguiam concluir a investigação este ano, dizendo mesmo que a análise da prova só ficaria concluída em Março de 2019.

No mesmo documento, Amadeu Guerra refere ser "muito vasta a documentação a analisar - vinda de outros países - merecendo destaque, nomeadamente, dezenas de milhões de ficheiros e 760 apensos de documentação vinda da Suíça e outra a receber". Há ainda, continuou o director do DCIAP, que relacionar toda a documentação apreendida e que se encontra "coligida em vários suportes", a saber: informação contabilística, documentação bancária, correio electrónico, escutas telefónicas, memorandos diversos, contratos extremamente complexos em língua francesa e inglesa, instrumentos de dívida, financiamentos, informação diversa relacionada com valores mobiliários e imobiliários, informação relacionada directa ou indirectamente com a medida de resolução, venda de dívida emitida pelo BES e operações tendentes à obtenção de liquidez para o Grupo Espírito Santo.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais