Graciano invisível numa noite sem discurso por se sentir "indisposto"

Graciano invisível numa noite sem discurso por se sentir 'indisposto'
Alexandre R. Malhado 27 de setembro
Sábado
Leia a revista
Em versão ePaper
Ler agora
Edição de 1 a 7 de dezembro
As mais lidas

O candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa não leu discursos, saiu sem avisar ninguém, depois de uma noite silenciosa  a copos de cerveja. Partido de André Ventura ficou aquém dos objetivos nestas autárquicas.

Sentado, a olhar para a televisão e a beber cerveja. Esta podia ser a descrição da noite autárquica de um eleitor comum português, mas também se aplica a Nuno Graciano, candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa. Começou a acompanhar as eleições ao final da tarde no restaurante Pazzo, Avenida da Liberdade, e saiu às 1:30, sem esperar pelos resultados finais, sem declarações ou despedidas a militantes, deixando inutilizado o púlpito montado para o discurso de final.

"Nuno Graciano saiu mais cedo porque se sentiu indisposto", confirmou a assessoria da candidatura do Chega ao município de Lisboa, pouco antes das primeiras notícias que davam a vitória de Carlos Moedas (PSD) na Câmara Municipal de Lisboa – e em plena incerteza se o Chega iria conseguir eleger.

Para Graciano, a noite até começou com esperança: as projeções à boca da urna colocavam a hipótese de conseguir ser eleito em Lisboa, com o Chega a alcançar entre 3% a 5% dos votos. Nessa altura, prestou à SÁBADO as únicas declarações da noite: "Todas as sondagens indicavam que Medina tinha isto mais do que ganho - e pelos vistos não tem. Medina e Moedas estão perto um do outro, a discutirem isto taco-a-taco. E estes resultados mostram que nós também temos uma palavra a dizer, podemos ser eleitos. Isto vai ser até ao último voto." E caso fosse eleito, deixava um aviso: "Estamos prontos para conversar com Carlos Moedas."

A noite foi avançando. Sentado, quase sempre sentado, a olhar para a televisão, ora inalando o seu cigarro electrónico, ora bebericando cerveja, Nuno Graciano foi passando a noite a observar. Ao seu redor, o ambiente era mais saltitante e descontraído – menos de três dezenas de apoiantes acompanhavam conversas sobre política com salgados, cerveja, vinho e refrigerantes disponíveis. À hora de jantar, pão com chouriço e caldo verde.

De todas conversas naquele restaurante lisboeta, um dos menos ruidosos era Nuno Graciano. E se a sua presença quase não foi sentida na noite autárquica, pode-se dizer o mesmo da cúpula do Chega em Lisboa. Nenhum membro da direção nacional do Chega esteve presente em Lisboa – e os militantes não tinham grande expectativa em relação ao resultado. "Isto é um milagre, é já um belo resultado. Com este resultado, é porreiro tudo o que vier", confessa à SÁBADO um dos membros da lista do Chega para Lisboa, quando ainda estava na expectativa de ver um vereador do Chega no executivo camarário.

Olhando para os resultados finais, não acontecerá. Em Lisboa, o Chega terá menos de 4% dos votos, atrás da Iniciativa Liberal, sem conseguir eleger vereador. É uma derrota para o Chega, que tem vindo a conseguir boas votações nesta zona. Nas legislativas de 2019, Ventura conseguiu ser eleito deputado pelo círculo de Lisboa com 1,38% (4 mil votos) e nas Presidenciais deste ano conseguiu 11,78% (29.488 votos) da capital.

No final da noite, só restava o líder da distrital de Lisboa do Chega, Pedro Pessanha, e outros 12 militantes. Não houve declarações. A única ação que aquele púlpito teve durante a noite toda? Um cartaz vandalizado de André Ventura com olhos demoníacos e Nuno Graciano cabeludo chamava a atenção.

Nem o Chega conseguiu alcançar a meta do terceiro lugar que tinham colocado a nível nacional. "Queria ficar em terceiro lugar, não consegui, assumo essa responsabilidade, é o que eu chamaria uma vitória que não foi total, queríamos ficar em terceiro lugar", admitiu Ventura. E contradisse Graciano: "Não haverá nenhum acordo autárquico entre PSD e Chega, não haverá nenhuma plataforma de entendimento enquanto isso não acontecer a nível nacional. Nós não estamos à venda."
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana
Artigos Relacionados
Investigação
Opinião Ver mais