Espanhóis estão "fartos" de eleições mas abstêm-se menos que portugueses

Cátia Andrea Costa 11 de novembro de 2019

A abstenção estrutural faz com que Portugal esteja atrás da média europeia quando se contam os números da ida às urnas. Mas a verdade é que Espanha, explica o politólogo António Costa Pinto, "está mais próximo da dinâmica europeia de revoltas eleitorais".

"Estou farto de eleições, mas a democracia é assim mesmo." Jua foi um dos milhões de espanhóis que voltaram às urnas, este domingo, para escolher os 350 deputados e 208 senadores das Cortes Gerais. Foi a quarta vez em quatro anos que os eleitores votaram para tentar resolver o impasse político e esta declaração feita à Lusa espelha o estado de espírito de quem parece não ver uma solução ao fundo do túnel.

A abstenção dos espanhóis ronda os cerca de 30%, numa altura em que ainda faltam os dados dos espanhóis emigrados: votaram 69,88% dos espanhóis, menos 5,87 pontos que nas eleições de 28 de abril. Um valor muito próximo das eleições de junho de 2016, em que 69,83% dos eleitores foram às urnas. Os espanhóis consideram estes valores um alerta vermelho e até usam Portugal como exemplo. "Nas eleições legislativas em Portugal, no mês passado, só foram às urnas 48,57% dos eleitores", recordou o El Periódico, defendendo a necessidade de ver o "copo meio cheio". Os números recordados pelo jornal espanhol foram mesmo um recorde em Portugal: nunca tão poucos eleitores se deslocaram às urnas para escolherem quem os vais governar, sendo que o valor da abstenção não para de aumentar desde 1979.

A pergunta surge naturalmente, enrolada na proximidade geográfica: há algo que justifique a diferença dos valores abstencionistas nos dois países? "A abstenção em Portugal é maior do que a média europeia, portanto existe sempre diferença sejam as eleições em Espanha ou em França", recordou António Costa Pinto em declarações à SÁBADO, explicando que o abstencionismo é "uma característica estrutural dos portugueses".

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