Guerra Colonial

Carvalho das Barbas: o comandante das milícias em Angola

Tiago Carrasco 18 de março

Carvalho das Barbas foi um herói para os brancos e um diabo para os negros. Jogava à bola com cabeças decepadas e há quem o acuse de ter usado câmaras de gás improvisadas. Trabalhava com a PIDE e os militares.

Eduardo Vieira de Carvalho nasceu na freguesia de Currelos, Carregal do Sal, em 1924. Tinha oito irmãos. O pai, agricultor, ensinou-lhe também o ofício da carpintaria: andava sempre com dois livros, um de História e outro de Geografia, e talvez por isso o seu filho Eduardo tenha decidido rumar a outras latitudes.

Olívia Carvalho, filha de Eduardo, diz que o pai foi cumprir o serviço militar a Angola e acabou por ficar. Em 1954, teve a primeira filha em Malanje, trabalhando como marceneiro. Passou ainda por Sanza Pombo, onde foi pai pela segunda vez. Olívia, a terceira de cinco descendentes, nasceu já em Carmona, em 1958, numa altura em que, diz, o pai "trabalhava como polícia".

No fatídico 15 de Março, Eduardo de Carvalho participou com distinção na defesa de Carmona, a capital do Uíge e alvo estratégico da UPA. Segundo o diplomata Bernardo Teixeira, que escreveu sobre o massacre em The Fabric of Terror: Three Days in Angola, editado nos EUA, os habitantes de Carmona souberam da tentativa de invasão antecipadamente, pelas 10h, por um médico que ouvira na rádio notícias do terrorismo na zona. Os sinos tocaram a rebate, a população pegou nas espingardas e concentrou-se no terraço das casas, escutando o som dos tambores do inimigo a aproximar-se.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais