Bolseiros queixam-se de inferno laboral de Raquel Varela

Três bolseiros entregaram em 2016 queixas relatando assédio moral, abuso de poder e suspeitas de viciação de concursos. A Universidade Nova de Lisboa ignorou a maior parte - e arquivou o restante.

Corria setembro de 2013 quando a investigadora académica Raquel Varela pediu a uma das jovens bolseiras sob a sua orientação que analisasse cinco jornais, uma cronologia e outras fontes para todo o período entre 25 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975. “Deu-me o prazo de um mês para terminar o colossal trabalho”, explica uma bolseira portuguesa e aluna de mestrado, numa queixa por “conduta imprópria” de Varela, apresentada à direção do Instituto de História Contemporânea (IHC). “Tamanha tarefa implicou a leitura de centenas de jornais e ficou concluída no início de dezembro, à custa de horas extraordinárias e exaustão”, junta.

Este trabalho estava fora das funções contratualizadas na atribuição da sua bolsa financiada por verbas públicas, mas essa não seria a maior surpresa. “Foi exigido um trabalho tremendo fora do âmbito do meu contrato e que, para piorar a situação, foi utilizado pela investigadora, no seu trabalho individual”, aponta.

O trabalho seria usado quase na íntegra – “sem consulta prévia, sem uma autorização assinada por mim”, continua a queixosa – no livro História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75, um dos principais de Raquel Varela, publicado em 2014 pela editora Bertrand. A bolseira destaca que o seu contributo “central” ocupa “101 páginas, com letra bastante mais reduzida do que a restante” de um livro que tem cerca de 500.

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