Memórias

Balsemão ajusta contas com Marcelo, Cavaco, Ongoing, jornalistas (e Cristina)

Balsemão ajusta contas com Marcelo, Cavaco, Ongoing, jornalistas (e Cristina)
Bruno Faria Lopes 02 de setembro

O homem que cruza política e media ao mais alto nível publica mil páginas de "Memórias" nas quais defende o legado e não perdoa os inimigos: políticos, jornalistas, empresários e estrelas de TV.

Ao chamar "Memórias" ao volume de mil páginas que publica este mês, Francisco Pinto Balsemão evita o exame completo de uma autobiografia – que teria de versar sobre uma vida amorosa e parental particularmente turbulenta – e centra-se no seu percurso profissional singular em Portugal, no qual cruzou ao longo de 60 anos, em regimes diferentes, política ao mais alto nível com jornalismo e media. "Ficaram de fora muitas recordações pessoais. De amores, paixões e traições, de amizades e frustrações", admite já perto do fim do livro. "O jogo da memória é perigoso e complicado. E muito propício à batota: só me lembro do que me convém?"

Ao longo da biografia,a preocupação de Balsemão, 84 anos, com a defesa do seu contributo "para que Portugal fosse uma democracia de padrão ocidental" é tão permanente como a necessidade que mostra em ser reconhecido por esse contributo - e tão permanente como, entre os elogios variados aos que não o abandonaram, os ajustes de contas com os outros. Pelo meio há a incursão pela história recente do país, pelo funcionamento dos media e pela "trituradora" da política - e sobre uma vida principesca no topo da elite portuguesa. Vamos por partes.

FAMÍLIA. O principezinho

Balsemão descreve uma infância solitária e principesca, na qual fez amigos que, como ele, seriam anos mais tarde parte do poder e da elite social. Francisco era o único filho vivo dos seus pais, que o tiveram já aos 40 anos após a morte de uma filha um ano antes. Foi "excessivamente" protegido, sobretudo pela mãe, "extremamente possessiva e invasiva" dos "territórios" dele. "Vivi quase enclausurado os primeiros 10 anos da minha vida", conta. Só foi à escola, o liceu lisboeta Pedro Nunes, aos 10 anos e teve tutoras privadas de português e de línguas.

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