Apontado como alegado recrutador de mulheres para o pedófilo, morreu aos 69 anos, em França, enquanto era investigado por suspeitas de tráfico humano e abusos sexuais. A causa da morte está por esclarecer.
Ainda não se sabe o que aconteceu a Daniel Siad, alegado recrutador de mulheres para Jeffrey Epstein, e cujo o nome consta em mais de 1000 documentos relativos ao criminoso sexual norte-americano, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, em 2025.
Daniel Siad, apontado como cúmplice de Jeffrey EpsteinDR
A morte do homem, de 69 anos, está envolta em mistério: foi encontrado já sem vida na sua casa, em Colombes, nos arredores da capital francesa, na noite de terça-feira, 21. A advogada de Siad falou inicialmente em ataque cardíaco: "Ele tinha muita confiança no sistema judicial e não conseguia compreender por que razão não o convocavam para depor, apesar dos seus repetidos pedidos. Sim, faleceu devido a um enfarte, e é muito provável que essa espera insuportável tenha contribuído para a sua morte." O Ministério Público de Nanterre anunciou a abertura de uma investigação e vai ser realizada uma autópsia.
O franco-argelino estava a ser investigado por suspeita de envolvimento em tráfico de seres humanos em França e suspeitas de abusos sexuais, incluindo uma acusação de violação feita pela ex-modelo sueca Ebba Karlsson no início de 2026, que terá acontecido quando a mulher tinha 20 anos. "É muito frustrante", disse Karlsson à agência AFP.
Siad negava as acusações de que era alvo. Numa entrevista à CNN, chegou a afirmar que desconhecia os abusos cometidos por Epstein: "Eu confiava nele. Achava que era um homem profissional", declarou. Num enviado email ao The Guardian, em fevereiro, explicava: "Ele [Epstein] tinha um apartamento grande onde costumava organizar todos os seus encontros, incluindo os castings para as modelos que eu recrutava, para a Victoria’s Secret e a MC2."
Siad e Epstein trocavam diversos emails, sendo que num deles o franco-argelino comparou o recrutamento de mulheres à pesca: "Neste negócio, às vezes sinto-me como um pescador: algumas vezes pesco rápido, outras vezes não há peixe".
Depois da morte do agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, em 2022, Daniel é o segundo homem publicamente associado a Epstein a morrer em Paris. Recorde-se que Epstein, criminoso sexual que liderava uma rede de tráfico e exploração de menores, morreu em 2019 numa prisão em Nova Iorque, num caso que ficou classificado como suicídio.
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