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Virginia Giuffre, uma vida nas mãos dos predadores

Luísa Oliveira 02 de junho de 2026 às 23:00

Os passeios a cavalo na infância, os primeiros abusos do pai e os castigos violentos da mãe. A biografia de Virginia Giuffre, vítima de Jeffrey Epstein e da socialite Ghislaine Maxwell, agora em português

Há pessoas fadadas para a desgraça. Jenna, como os mais próximos tratavam Virginia Roberts Giuffre, autora de A Rapariga de Ninguém, Uma história de sobrevivência e luta pela justiça, era uma delas. Escreve-se “era”, porque entretanto suicidou-se em abril do ano passado, aos 41 anos, na sua casa, ainda antes de os EUA conhecerem a fundo a sua história. A biografia, de 357 páginas, considerada livro do ano pelos British Book Award, haveria de chegar às livrarias em outubro, com uma nota prévia da sua colaboradora, a jornalista Amy Wallace, escrita em agosto: “No dia 5 de abril, Virginia divulgou uma declaração na revista People, afirmando publicamente pela primeira vez que tinha sido vítima de violência doméstica por parte do marido e referindo a alegada agressão de 9 de janeiro. Da declaração constava a transcrição do que Virginia teria declarado à publicação: ‘Consegui enfrentar [a socialite] Ghislaine Maxwell e Jef- frey Epstein, que abusaram de mim e me exploraram através de tráfico sexual. Mas só recentemente consegui escapar à violência doméstica no meu casamento. Depois da última agressão física do meu marido, já não posso ficar calada.” Menos de três semanas depois, Virginia, mãe de três filhos, estava morta, tendo-se suicidado na sua quinta isolada na Austrália. Como chegou ela a este ponto de desespero?

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