Washington também restabeleceu as sanções económicas ao petróleo iraniano, que tinha levantado devido ao cessar-fogo.
Na noite de terça-feira os Estados Unidos voltaram ao Irão e atingiram mais de oitenta alvos no país, incluindo na ilha de Kharg, dando fim a um cessar-fogo que não chegou a consolidar-se. Já na quarta-feira Trump anunciou que os norte-americanos estavam a preparar-se para mais uma noite de ataques.
Iraninaos escreveram #VamosMatarTrump num muro em protesto contra os EUAAP Photo/Altaf Qadri
O líder republicano renovou as ameaças anteriores ao cessar-fogo, incluindo atacar infraestruturas civis, centrais nucleares e centrais elétricas e de controlar o anexar a ilha de Kharg – conhecida como o “pulmão financeiro” do regime iraniano e por onde passam 90% das exportações de petróleo.
À margem da reunião da NATO em Ancara, na Turquia, Trump justificou o regresso à ofensiva como retaliação aos ataques iranianos contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. “Não quero negociar com eles”, garantiu o presidente norte-americano antes de classificar os líderes iranianos como “escumalha”, “violentos”, “mentirosos” e “loucos”.
Washington também restabeleceu as sanções económicas ao petróleo iraniano, que tinha levantado devido ao cessar-fogo.
O norte-americano declarou que o acordo provisório, que previa futuras negociações para um acordo definitivo, tinha “terminado” e referiu que ainda assim os negociadores norte-americanos continuam em reuniões: “Deixarei os nossos excelentes negociadores continuarem a falar se quiserem, mas não vejo isso a acontecer”.
“Todos concordaram: nada de armas nucleares. Fizemos um acordo, eles vêm a público, fazem piadas perante a imprensa e dizem que nunca sequer discutimos isso. Há algo de errado com eles, são loucos”, referiu Trump.
As negociações para conseguir um acordo final em temas como a abertura completa de Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano estavam previstas para depois do funeral do Líder Supremo do Irão, o Aiatola Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro logo no início da guerra. O funeral, que dura há vários dias, tem termino marcado para esta quinta-feira e não está claro o que vai ocorrer a seguir.
Depois das declarações de Trump, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, garantiu nas redes sociais: “A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder”.
Os valores do petróleo já dispararam 5% depois destas negociações e um novo escalar do conflito pode envolver todo o Médio Oriente e interromper novamente as transações comerciais que passam por Ormuz. Esta questão, que faz ainda aumentar os preços de fertilizantes e alimentos, pressiona os Estados Unidos a chegarem a um acordo.
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos emitiu um comunicado onde referiu que as forças norte-americanas lançaram ataques “para impor custos elevados por alvejar e atacar navios comerciais tripulados por civis inocentes numa via navegável internacional”. Estes ataques atingiram sistemas de defesa aérea, radares e mais de 60 embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária Iraniana.
Os meios de comunicação iranianos reportaram explosões em vários locais, incluindo em Bushehr – cidade onde se localiza o complexo de centrais nucleares do Irão. Em resposta os iranianos já atacaram alvos no Bahrein e no Kuwait. Anwar Gargash, diplomata dos Emirados Árabes Unidos, afirmou que os ataques iranianos são “um claro indicador de que Teerão continua incapaz de se comprometer com as exigências do virar da página da guerra”.
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