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Presidente da Universidade de Virgína renuncia ao cargo após pressão do governo Trump

Desde a tomada de posse de Donald Trump que James Ryan enfrentava diversas críticas por não ter eliminado as políticas de diversidade, equidade e inclusão escolar.

O presidente da Universidade de Virgína, nos Estados Unidos, renunciou ao cargo depois ter sido pressionado pelo governo de Donald Trump sobre as práticas de diversidade, equidade e inclusão escolar (DEI), avançou oNew York Times. O anúncio foi feito esta sexta-feira (27) numa declaração à comunidade universitária, na qual confessou que sai com o "coração muito pesado".

AP Photo/Steve Helber

"Para encurtar a história, estou inclinado em lutar pelo que acredito, e acredito profundamente nesta universidade, mas não posso tomar a decisão unilateral de lutar contra o governo federal para salvaguardar o meu emprego", explicou.

James Ryan liderava a instituição desde 2018, e já havia decidido que o ano de 2026 seria o seu último na universidade. Contudo, considerou que permanecer no cargo por mais um ano seria "sacrificar a comunidade de forma consciente e voluntária".

Desde a tomada de posse de Donald Trump que Ryan enfrentava diversas críticas por não ter eliminado as políticas de DEI na faculdade. A sua saída foi, assim, forçada pelo Departamento de Justiça, que se recusou a comentar a saída de James Ryan, indicou

Esta notícia representa, assim, uma escalada dramática nos esforços da administração Trump para remodelar o Ensino Superior. Para Ted Mitchell, presidente do Conselho Americano de Educação, que representa os diretores das escolas, este episódio trata-se de um exemplo do uso da "bandidagem ao invés do discurso racial" por parte do governo.

"Este é um dia sombrio para a Universidade de Virgínia, um dia sombrio para o Ensino Superior, e promete mais do mesmo", disse citado pela AP. "Está claro que a administração não terminou e usará todas as ferramentas que puder criar ou inventar para exercer a sua vontade sobre o Ensino Superior."

A notícia deixou até os senadores democratas de Virgínia espantados. Numa declaração conjunta classificaram esta situação como ultrajante. "Este é um erro que prejudica o futuro de Virgínia", disseram os senadores Mark R. Warner e Tim Kaine.

Esta é a consequência de uma ordem executiva que foi assinada em janeiro deste ano pelo presidente dos EUA e que ordenava a eliminação de programas de educação desigual, individual e coletiva, assim como a "doutrina radical" em escolas e universidades do país. Desde então que o Departamento de Educação já abriu investigações em dezenas de faculdades, ao argumentar que as iniciativas de diversidade discriminam estudantes brancos e asiático-americanos.

As faculdades entretanto têm tentado responder a esta nova lei. Enquanto algumas encerraram os seus programas de DEI e terminaram com as bolsas de estudo, outras renomearam os programas e mantiveram as suas políticas de diversidade. Foi o caso da Universidade de Virgínia que renomeou este programa após o conselho administrativo ter votado o encerramento do mesmo, em março.

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