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Vítima de Epstein fala pela primeira vez: "A massagista chamou-me para o quarto dele e fui violada"

Luana Augusto
Luana Augusto 13 de maio de 2026 às 18:49
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Roza contou como, com apenas 18 anos, conheceu um agente de modelos que a apresentou a Epstein e como foi violada durante três anos. Na altura, Epstein cumpria pena domiciliária por abuso de menores.

Roza, uma das sobreviventes de Jeffrey Epstein que foi recrutada no Uzebequistão ainda em adolescente pelo agente de modelos Jean-Luc Brunel, relatou pela primeira vez como o criminoso sexual terá abusado dela durante o tempo em que este esteve em prisão domiciliária por abuso de uma menor.

Roza, sobrevivente dos abusos de Jeffrey Epstein discursa perante os democratas do Comité de Supervisão da Câmara
Roza, sobrevivente dos abusos de Jeffrey Epstein discursa perante os democratas do Comité de Supervisão da Câmara Foto AP/Rebecca Blackwell

Foi perante o Comité de Supervisão da Câmara que Roza contou como conheceu o falecido Brunel em 2008: na altura ela tinha apenas 18 anos e o agente prometeu-lhe "uma carreira de modelo além do imaginável". "Vindo de uma família com dificuldades financeiras era o alvo perfeito para coerção", disse a mulher visivelmente emocionada, relata a BBC.

Roza acabou por ser apresentada a Epstein em maio de 2009: encontrou-se com ele na sua casa em West Palm Beach enquanto o magnata cumpria prisão domiciliária. Foi então que ele lhe ofereceu um trabalho "para ajudar com os problemas financeiros". Epstein ofereceu-lhe um cargo na Fundação de Ciência de Florida - onde ele havia trabalhado, depois de ter acordado que poderia sair de casa durante 16 horas por dia e seis dias por semana.

"Um dia, a massagista dele chamou-me para o quarto, onde fui violada pela primeira vez por Jeffrey. Nos três anos seguintes, fui vítima de violações contínuas", recordou. Segundo Roza, os abusos cometidos por Epstein durante o tempo em que esteve em prisão domiciliária "tornaram a justiça impossível", mas isso fez com que ela encontrasse "finalmente coragem para pedir ajuda".

Roza disse ter ficado novamente traumatizada quando viu o seu nome ser publicado acidentalmente nos arquivos de Epstein, que foram divulgados pelo Departamento e Justiça, "enquanto os ricos e os poderosos permanecem protegidos".

"Agora, jornalistas de todo o mundo entram em contacto comigo. Não consigo viver sem ficar a olhar por cima do ombro. Só posso imaginar o impacto a longo prazo que esse 'erro' terá na minha vida", lamentou.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já afirmou, no entanto, que "leva a proteção das vítimas muito a sério" e que removeu do site os arquivos onde as vítimas, cujo nome foi comprometido foram mencionadas. Esclareceu ainda que os erros ocorreram devido a "falhas técnicas ou humanas".

Também uma outra sobrevivente, Maria Farmer, prestou depoimento perante os democratas, através de um testemunho gravado. Disse que denunciou os abusos pela primeira vez em 1996 e acusou as autoridades policiais de ignorarem o apelo. "O governo precisa de começar a dizer a verdade", disse.

As declarações surgem à medida que o comité, que tem maioria republicana, investiga os crimes de Jeffrey Epstein.

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