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Opositor venezuelano sai da prisão e é raptado em Caracas. "Homens armados levaram-no à força"

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Guanipa foi levado por "10 pessoas não identificadas" horas depois de ter sido libertado. Filho exige "prova imediata de que está vivo e a sua libertação”.

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, denunciou esta segunda-feira, através das suas redes sociais, que um dos seus aliados mais próximos foi raptado horas depois de ter sido libertado da prisão. Segundo Corina Machado, Juan Pablo Guanipa foi sequestrado por volta da meia-noite local (05h de Lisboa) de segunda-feira, num bairro da capital, em Caracas.

Juan Pablo Guanipa libertado oito meses depois
Juan Pablo Guanipa libertado oito meses depois
Juan Pablo Guanipa foi raptado por homens armados na Venezuela
Juan Pablo Guanipa raptado por homens armados na Venezuela

"Homens fortemente armados, vestidos à paisana, chegaram em quatro veículos e levaram-no à força", escreveu Corina Machado na rede social X. "Exigimos a sua libertação imediata."

A mesma informação foi adiantada pelo filho de Guanipa, Ramón, e citada pela agência de notícias Associated Press, que nas redes sociais disse que o pai foi "intercetado e sequestrado" por "um grupo de aproximadamente de 10 pessoas não identificadas". “Exigimos prova imediata de que está vivo e a sua libertação.”

Tudo aconteceu depois de o governo venezuelano ter libertado, no domingo, vários membros proeminentes da oposição. "Estou convencido de que o nosso país mudou completamente", disse Guanipa aos jornalistas à saída da prisão. "Estou convencido de que agora cabe a todos concentrarmo-nos em construir um país livre e democrático."

Enquanto os presos políticos eram libertados as famílias aguardavam-os do lado de fora das prisões e gritavam: "Não temos medo! Não temos medo!"

Guanipa foi detido no final de maio do ano passado, acusado pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, de ter participado num suposto "grupo terrorista" que alegadamente planeava boicotar as eleições legislativas que se realizavam naquele mês. Esteve oito meses sob custódia e agora que foi libertado foi sequestrado.

Além dele, a organização política de Machado afirmou que vários outros membros estavam entre os libertados, incluindo María Oropeza, que transmitiu ao vivo a sua detenção enquanto militares invadiam a sua casa com um pé de cabra, e o advogado de Corina Machado, Perkins Rocha. O Foro Penal, grupo venezuelano de defesa dos direitos dos presos políticos, confirmou no domingo a libertação de 30 pessoas e o presidente Alfredo Romero expressou preocupação quanto ao desaparecimento de Guanipa. “Até o momento não temos informações claras sobre quem o raptou”, escreveu no X. “Esperamos que seja libertado imediatamente.”

As libertações ocorreram num momento em que a presidente interina, Delcy Rodríguez, enfrenta uma crescente pressão para libertar centenas de pessoas, cujas detenções estão ligadas a atividades políticas, e aconteceram também após uma visita do alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos à Venezuela. Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela após a pelas forças armadas dos Estados Unidos, a 3 de janeiro. Dias depois, o governo começou a libertar presos políticos.

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