Marcelo apela à liberdade e à tolerância religiosa no Cairo

Lusa 12 de abril de 2018
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O Presidente da República defendeu o diálogo e a liberdade de viver em sociedade, "sem minimizar e ignorar filosofias, crenças ou religiões".

Abdel Fattah al-Sisi
Abdel Fattah al-Sisi

Marcelo Rebelo de Sousa apresentou-se hoje como "professor e Presidente" aos alunos da histórica Universidade de al-Azhar, no Egipto, e fez um discurso emotivo de apelo à liberdade, à tolerância religiosa, de "paz e não da guerra".

Perante uma plateia de alunos e professores, numa universidade de um país que ainda há semanas foi abalado por atentados de extremistas, o Presidente português defendeu o "diálogo ecuménico" entre religiões e a liberdade de viver em sociedade, "sem ignorar, minimizar ou subjugar os outros por causa da sua filosofia, crença ou religião".

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente e católico, deixou três perguntas: "Que Deus poderia exigir tais intolerâncias, a não ser negando a sua própria natureza? Um Deus sanguinário? Um Deus negador do bom, do belo, do percurso para a melhor realização profissional e comunitária?"

Aos alunos, disse que, em 1976, votou, aos 26 anos, uma Constituição que proclama os "valores da liberdade, igualdade, solidariedade, justiça, democracia" e que, hoje, "com afinco", tenta aplicar.

Em tom empolgado, Rebelo de Sousa disse que continua "a sonhar" com um Portugal "mais livre, mais igual, mais solidário, mais fraterno, mais democrático.

"Por isso, é tão importante louvar os que têm palavras de paz e não de guerra, de amor e não de ódio, de fraternidade e não de inimizade", disse.

"Por isso, é tão importante repetir, como o tenho feito em Portugal, que cabe na nossa alma o Islão, é parte dela desde que nascemos como Nação e Estado, como o são o Cristianismo, a filosofia grega, o pensamento romano, a visão judaica, os contributos germânicos, africanos, asiáticos ou americanos. E, desde logo, as raízes egípcias passadas à Europa e ao Mundo, milhares de anos atrás".

Daí, o discurso passou para a advertência de que é "travar nacionalismos, xenofobias, isolacionismos, populismos", lembrando que a "Europa se fez como cruzamento de culturas e civilizações".

Com a tensão em alta no Médio Oriente e a falar num país que considerou ter um papel relevante no conflito, insistiu numa solução negociada da situação na Síria, "não fechando portas, não alimentando a ira e o conflito".

"Temos que continuar a sonhar e lutar pela paz", concluiu Marcelo, aplaudido pela plateia, e afirmando que, por ele, continua "a sonhar".
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