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Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine: organização garante que estava autorizado a trabalhar

Agentes afirmam que abriram fogo depois de o homem ter tentado usar o veículo como arma. Esta não é, no entanto, a primeira vez que o ICE usa esta justificação. Para já, não há testemunhas que confirmem estas alegações.

Um imigrante colombiano morreu na manhã desta segunda-feira no Maine, Estados Unidos, durante um tiroteio que envolveu agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). A notícia foi avançada pelo próprio presidente da Câmara dos Representantes do Maine, Ryan Fecteau, que nas redes sociais correu a esclarecer o sucedido. 

Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine

“Uma pessoa morreu. O ICE estava envolvido. A polícia estatal e o Departamento de Segurança Pública estão no local a recolher informações e o FBI também deve investigar o caso”, escreveu na sua página do Facebook. “Estes são os detalhes que tenho no momento.”

Duas testemunhas disseram ter ouvido tiros no local e visto polícias a tentar disparar contra um carro que estava a ser conduzido pelo homem que foi baleado. Uma delas relatou até que viu a vítima a sair do carro com a cabeça a sangrar, contaram citadas pelo jornal local .

"Dois agentes do ICE correram em direção ao cruzamento e um outro agente, numa Ford, tentou parar o veículo que ainda estava em movimento", recordou à agência de notícias Associated Press, Corey Poulin, que gere uma lavandaria perto do local do tiroteio. "Não tenho a certeza, mas acho que já não estava vivo quando o carro se começou a mover."

As autoridades contam, no entanto, uma outra versão. O senador Angus King (independente) disse que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, lhe garantiu que o agente só abriu fogo depois de o homem ter tentado usar o veículo como arma contra os polícias que o perseguiam. Além disso, foi ainda referido que a vítima tinha uma ordem de deportação pendente.

"Ele saiu do veículo e, para usar as próprias palavras do secretário, transformou o veículo numa arma e foi baleado por um agente do ICE", esclareceu Angus King, que acrescentou que os agentes em questão não estavam a usar bodycams (câmaras corporais) e que o FBI está agora a investigar o caso.

Após o tiroteio, as autoridades não confirmaram a identidade da pessoa baleada. Acontece que duas organizações de direitos dos imigrantes do estado - a Coligação de Direitos dos Imigrantes do Maine e a Presente! Maine - se apressaram e adiantaram que a vítima se tratava de um colombiano de 26 anos, que tinha autorização para trabalhar nos Estados Unidos e que possuía até um número de Segurança Social.

“A nossa comunidade está a tomar medidas imediatas para proteger e cuidar desta família destruída pela violência estatal”, disse Crystal Cron, diretora executiva da Presente citada pelo jornal . “Dizer que estamos com o coração partido não chega nem perto para expressar a magnitude do cansaço, do terror e da dor que sentimos. Não permitiremos que esta morte seja reduzida a uma mera nota de rodapé nas estatísticas policiais desta administração. Não haverá liberdade até que todos sejam livres.”

Esta não é a primeira vez que o Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, tenta justificar um tiroteio fatal envolvendo agentes federais ao alegar que a vítima os tentou atropelar. A mesma justificação já havia sido usada na passada terça-feira, quando um agente disparou contra o imigrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, em Houston, no Texas. Foi morto enquanto se dirigia para o trabalho.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, o agente disparou contra Lorenzo Salgado depois de se ter sentido ameaçado - versão esta que as testemunhas refutaram. Mais tarde, as autoridades verificaram que o homem vivia nos Estados Unidos há mais de três décadas, mas afirmaram que ele não era o alvo e que o confundiram com um outro imigrante. Tanto a família como políticos e diversas organizações de direitos civis exigiram uma investigação sobre o incidente.

A forma como o ICE tem operado nos EUA já resultou em diversas mortes, só este ano, - incluindo dos americanos e , em Minneapolis, em janeiro. Além disso, já morreram 21 pessoas sob custódia da agência de imigração. A este ritmo, o número irá ultrapassar aquele que se verificou no ano passado, que foi de 33 mortes.

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