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Durão Barroso questiona se UE sobrevive caso extremismos cheguem ao poder em França e Alemanha

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Antigo presidente da Comissão Europeia referia-se ao crescimento da extrema direita na Alemanha, com as sondagens nacionais a apontarem para a liderança do "partido antissistema".

O antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso questionou-se esta segunda-feira se a União Europeia sobreviverá caso partidos extremistas assumam o poder em França ou na Alemanha, considerando esse cenário uma mudança radical para a Europa.

Durão Barroso questiona se UE sobrevive caso extremismos cheguem ao poder em França e Alemanha
Durão Barroso questiona se UE sobrevive caso extremismos cheguem ao poder em França e Alemanha Sérgio Lemos/Correio da Manhã

"E se agora se passa isso em França ou na Alemanha? Será que a União Europeia (UE) tem a capacidade de se adaptar, de integrar, de sobreviver a uma mudança tão radical? É uma questão obviamente muito difícil - a que eu espero não tenhamos que responder. Mas provavelmente vamos ter que responder a uma situação dessas", interrogou-se José Manuel Durão Barroso, durante a conferência "Encontros fora da Caixa", organizada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) na Culturgest, em Lisboa.

Barroso referia-se ao crescimento da extrema direita na Alemanha, com as sondagens nacionais a apontarem para a liderança do "partido antissistema" e de discurso "fortemente xenófobo" da AfD, e à possibilidade de a segunda volta das Presidenciais francesas, em 2027, ser disputada, segundo as sondagens, por uma candidata "dita de extrema-direita" e por um candidato "dito de extrema-esquerda".

Para o antigo presidente da Comissão, entre 2004 e 2014, a "velha ordem multilateral" criada no pós II Guerra Mundial está bloqueada, "já não está verdadeiramente a existir", mas "não há nenhuma outra" que a tenha substituído e essa incerteza gera uma ansiedade que "se sente nos sistemas políticos, com fatores extremamente disruptivos", com crescimento dos extremos à direita, mas também "por vezes na chamada esquerda política", disse.

Durão Barroso lembrou que a UE "necessita dos seus resultados para se legitimar" e perguntou o que aconteceria se amanhã em algum dos países determinantes para a construção europeia dominasse um governo antieuropeu "ou pelo menos contra o consenso europeu que está estabelecido".

Barroso afirmou que o primeiro caso recente de ascensão de um partido extremista ao poder na UE aconteceu na Grécia, no tempo da 'troika', numa referência à vitória do Syriza em 2015.

O antigo primeiro-ministro português afirmou que a polarização que se assiste na atualidade não se coloca apenas a nível internacional entre as grandes potências, mas também no interior dos sistemas políticos das democracias.

Para Barroso, o centro político entregou "a intensidade aos extremos", dando-lhes bandeiras políticas que foi abandonando.

Por um lado, a esquerda esqueceu-se da proteção da classe trabalhadora e, por outro, a direita democrata-cristã esqueceu-se "daquilo a que chamados a 'nação'", afirmou.

Numa referência a declarações do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, Barroso afirmou que, ao contrário do que alguns pensam, a UE não foi criada para criar dificuldades aos EUA.

"A Europa é ainda uma fonte de confiança e estabilidade. Podemos ter algum orgulho nisso", pontuou.

Para Barroso, a Europa enfrenta três desafios fundamentais que exigem um plano estratégico que produza consequências estruturais: a defesa, a tecnologia e as questões financeiras, nomeadamente os mercados financeiros. Sem enfrentar estes três problemas, disse, não conseguirá competir com os Estados Unidos -- "nossos aliados, mas nossos competidores" -, com a China, a Rússia e a Índia.

"Precisamos de escala", afirmou, reclamando que as "lideranças em Bruxelas" e a nível nacional nos 27 Estados-membros coloquem em ação "mudanças que são difíceis".

"Um líder não é líder se não tiver ninguém atrás dele", afirmou, referindo que é necessário um líder ter o povo do seu lado.

Barroso lembrou ainda que o euro é a segunda divisa a nível internacional e vincou que a China, embora seja a segunda maior economia mundial, "gostaria de ter uma moeda como o euro".