Mulher casou com o adolescente que conheceu na década de 1950, de quem chegou a estar separada durante décadas. Tendo decidido mudar-se para os EUA, para junto dele, pediu um visto mas não tendo tido resposta acabou por ser detida.
Uma francesa de 86 anos que se mudou para os Estados Unidos no ano passado para resgatar um velho romance que aconteceu na década de 1950, está detida num dos centros do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), no estado de Louisiana. O alerta foi dado no início de abril pelo filho de Marie-Thérèse: foi ele quem alertou que a mãe havia sido presa em Anniston, Alabama. "Algemaram-na pelas mãos e pelos pés como se fosse uma criminosa perigosa", revelou ao jornal francês Ouest-France.
ICE patrulha o Aeroporto Internacional Louis Armstrong em LouisianaDavid Grunfeld/The New Orleans Advocate via AP
Marie-Thérèse, natural de Nantes, mudou-se para os Estados Unidos depois de ter casado com um "namorado de infância" - um americano chamado Billy. O casal havia namorado na década de 1960, quando Thérèse era secretária e Billy um soldado que trabalhava na base militar da NATO em Saint-Nazaire. Acontece que em 1966 o homem regressou aos EUA e ambos acabaram por perder o contacto. Casaram-se - cada um no seu próprio país - e tiveram filhos.
O ex-casal só voltou a reencontrar-se em 2010, segundo o Ouest-France. Curiosamente, em 2022, dois anos depois, ambos ficaram viúvos e foi nesse momento que decidiram reiniciar o relacionamento.
Billy, descrito pelo filho de Thérèse como um "homem encantador e adorável", acabou por casar no ano passado com o seu amor de adolescência. Na sequência, a mulher decidiu mudar-se para o Alabama e solicitar um visto de longa duração que lhe daria o direito de permanecer nos EUA. Mas Thérèse ainda não havia recebido o green card quando Billy morreu repentinamente em janeiro, ficando com uma situação migratória incerta.
Após a morte, ela e o filho de Billy entraram numa disputa pela herança. O jornal Ouest-France conta mesmo que o filho "ameaçou-a, intimidou-a e chegou a cortar a água, Internet e a eletricidade". No meio dessa disputa, Marie-Thérèse decidiu contratar um advogado mas, um dia antes de ser ouvida numa audiência, acabou detida pelos serviços de imigração norte-americanos. Foram os vizinhos que alertaram os filhos para a detenção da mulher. Segundo a BBC, não há provas de que tenha sido o filho de Billy a denunciar a madrasta.
Para já, Marie-Thérèse já recebeu uma visita consular. À imprensa francesa, o filho, de cerca de 50 anos, acrescentou que a mãe era uma "guerreira" e que se estava a "manter-se bem", mas alertou que tem problemas cardíacos e nas costas. "A nossa prioridade é tirá-la desse centro de detenção e repatriá-la para França. Dada a sua saúde, ela não aguentará um mês nessas condições de detenção", garantiu.
Desde o início do segundo mandado de Donald Trump que o ICE tem assumido um papel central na deportação em massa de pessoas para outros países.
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