Presidente do Parlamento iraniano afirmou que Washington não poderá aguentar a situação durante muito tempo, ao contrário do Irão.
O Irão acusou esta terça-feira os Estados Unidos de colocarem em perigo a segurança da navegação no estreito de Ormuz ao "violarem o cessar-fogo" em vigor.
Mulher segura bandeira do Irão durante uma campanha pró-governo Foto AP/Vahid Salemi
"A segurança da navegação e do trânsito energético foi posta em perigo pelos Estados Unidos e aliados ao violarem o cessar-fogo e imporem um bloqueio, embora o mal venha a ser contido", denunciou o presidente do Parlamento iraniano.
Mohamad Baqer Qalibaf afirmou que "uma nova equação" no estreito de Ormuz "se está a consolidar" e advertiu os Estados Unidos de que não poderão aguentar a situação durante muito tempo, ao contrário do Irão.
"Sabemos bem que a continuidade da situação atual é insuportável para os Estados Unidos, enquanto nós nem sequer começámos ainda", afirmou numa declaração divulgada nas redes sociais, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Os Estados Unidos iniciaram na segunda-feira uma operação para tentar facilitar a passagem pelo estreito de Ormuz das embarcações retidas pelo bloqueio iraniano.
Denominada "Project Freedom" (Projeto Liberdade) a operação implica a mobilização, anunciada pelo Presidente Donald Trump, de centenas de aeronaves, contratorpedeiros e drones, mas sem incluir uma escolta militar formal dos navios mercantes.
Os Estados Unidos disseram que conseguiram a passagem de dois navios mercantes sem sofrerem qualquer dano, mas o Irão assegurou que fez disparos de advertência contra contratorpedeiros norte-americanos, algo que Washington desmentiu.
O presidente do parlamento liderou a delegação iraniana às negociações falhadas com Washington no Paquistão, em 11 e 12 de abril, juntamente com o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi, que também criticou hoje as operações militares norte-americanas no estreito.
Araghchi afirmou nas redes sociais que os factos "deixam claro que não há soluções militares para uma crise política".
Sugeriu ainda que Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos desconfiem de quem os queira "arrastar de novo para o atoleiro", numa referência a Israel, que a República Islâmica considera ter convencido Washington a iniciar o conflito.
A guerra em curso no Médio Oriente, que já causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, foi desencadeada por uma ofensiva de grade escala lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.
Teerão respondeu com ataques contra países da região e o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto dos produtos petrolíferos dos países do golfo Pérsico para os mercados internacionais.
A crise fez disparar os preços do petróleo e recear uma crise económica global, com repercussões a todos os níveis, incluindo a alimentação, com alertas da ONU para o agravamento de situações de fome em países mais vulneráveis.
Washington e Teerão têm em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril para tentar negociar o fim do conflito, mas as primeiras conversações em Islamabad foram infrutíferas e uma segunda ronda não chegou a realizar-se.
Na sequência do falhanço das negociações na capital do Paquistão, Trump decretou em 13 de abril um bloqueio naval aos portos e navios iranianos.
Com o processo num impasse, apesar dos esforços diplomáticos de vários países, com destaque para o Paquistão, as tensões no Médio Oriente voltaram a agravar-se com a operação "Project Freedom" norte-americana.
Também na segunda-feira, um ataque com drone lançado a partir do Irão provocou "um grande incêndio" numa zona petrolífera no leste dos Emirados Árabes Unidos, cujo Governo advertiu Teerão de que reserva o direito de responder.
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