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OpenAI desiste (para já) de criar um chatbot erótico

Tiago Neto
Tiago Neto 26 de março de 2026 às 22:11
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Após meses de hesitação e críticas internas, a empresa decidiu, esta quinta feira, arquivar um modo adulto para o ChatGPT, citando riscos sociais e falhas técnicas.

A OpenAI decidiu adiar por tempo "indeterminado" o plano para lançar um chatbot com funcionalidades eróticas, segundo uma investigação do . A decisão surge poucos dias depois de a empresa ter também interrompido abruptamente o desenvolvimento do gerador de vídeo Sora, num sinal de recentramento estratégico nas suas ferramentas principais. De acordo com o jornal britânico, que cita fontes próximas do processo, a prioridade passa agora por consolidar produtos existentes, deixando cair uma aposta que se revelava cada vez mais controversa.

A notícia do Financial Times cita fontes próximas de Sam Altman, fundador da OpenAI
A notícia do Financial Times cita fontes próximas de Sam Altman, fundador da OpenAI Associated Press

O projeto, inicialmente previsto para o outono de 2025 como um “modo adulto” destinado a utilizadores verificados do ChatGPT, já tinha sofrido adiamentos. Na altura, um porta-voz da empresa admitia que “acertar na experiência” exigiria mais tempo. Ainda assim, a intenção de avançar mantinha-se até agora. O novo recuo, noticiado pelo Financial Times, aponta para uma suspensão sem calendário de regresso, num contexto de crescente pressão interna e externa.

Entre as principais reservas estão preocupações éticas e sociais. Funcionários e investidores terão alertado para o impacto de conteúdos sexualizados gerados por inteligência artificial, num momento em que o debate sobre limites e regulação da tecnologia se intensifica. Casos recentes envolvendo a a gerar imagens sexualizadas, reforçaram o clima de cautela no setor, evidenciando os riscos reputacionais e legais associados a este tipo de desenvolvimento.

Mas não são apenas questões de perceção pública que pesaram na decisão. Ainda segundo o Financial Times, persistiam obstáculos técnicos significativos, em particular a dificuldade na distinção fiável entre adultos e menores, com taxas de erro superiores a 10%. Num domínio em que a margem para falha é praticamente nula, este tipo de limitação torna-se crítica e potencialmente impeditiva.

O recuo da OpenAI insere-se, assim, num movimento mais amplo de contenção numa indústria que, após uma fase de expansão acelerada, começa a confrontar-se com as fronteiras éticas e operacionais.

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