O subsídio de desemprego representou cerca de 1,7% do tempo de permanência dos trabalhadores estrangeiros em Portugal. Conheça este e outros dados avançados pelo Governador do Banco de Portugal.
O Governador do Banco de Portugal (BdP) partilhou na rede social X algumas conclusões do Boletim Económico de Março, um estudo que inclui um retrato dos trabalhadores emigrantes em Portugal.
Álvaro Santos Pereira, Governador do Banco de PortugalMariline Alves
No ano passado estavam registados na Segurança Social 1,13 milhões de trabalhadores estrangeiros e entre 2010 e 2014 contaram-se 1,4 milhões de entradas no país. A grande maioria - 1,2 milhões - desde 2018. Estes são alguns dos dados destacados por Álvaro Santos Pereira na sua página da rede social X, que integram o Boletim Económico de Março do BdP.
"O Banco de Portugal acabou de publicar um importante estudo que permite uma melhor caracterização dos trabalhadores estrangeiros em Portugal, baseada nos microdados da Segurança Social entre janeiro de 2010 e setembro de 2025", explica o Governador do BdP, numa publicação dividida em nove pontos principais.
O estudo revela, por exemplo, quais os setores de atividade onde trabalham as maiores fatias de trabalhadores estrangeiros, com 20% a dedicar-se a atividades administrativas e serviços de apoio, 18% ao alojamento e restauração, 15% à agricultura e pesca e 14% à construção. O comércio conta com 10% da fatia destes trabalhadores e a indústria com 7%.
"Estes trabalhadores estrangeiros passaram cerca de 86% do tempo de permanência no país em situação de emprego por conta de outrem, e 5% do tempo como trabalhadores independentes", descreve Álvaro Santos Pereira, esclarecendo que "o subsídio de desemprego representou somente cerca de 1,7% do tempo de permanência dos trabalhadores estrangeiros, enquanto as outras prestações sociais corresponderam somente a 0,9% desse tempo". E que tempo é esse? Cerca de 52% permanecem pelo menos cinco anos e 40% "permanece nos registos da Segurança Social ao fim de dez anos".
Entre 2010 e 2024, 38% dos trabalhadores estrangeiros vinha do Brasil, a percentagem mais elevada nas entradas, e 19% tinha origem na Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão. O registo de trabalhadores oriundos dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) ficou pelos 14%, o mesmo valor que os trabalhadores oriundos da União Europeia e do Reino Unido.
A publicação do Governador do BdP vai somando dezenas de reações, entre a crítica (há quem chame a publicação de "lixo propagandista") ou o agradecimento pela partilha dos dados apurados, que revela "factos e não perceções". Entre as respostas, destaca-se a de Carlos Guimarães Pinto, economista e deputado da Iniciativa Liberal: "Saudades de quando o Álvaro Santos Pereira tinha um blog chamado Desmitos que desmontava mitos com factos estatísticos. Bom trabalho aqui".
Saudades de quando o Álvaro Santos Pereira tinha um blog chamado Desmitos que desmontava mitos com factos estatísticos. Bom trabalho aqui. https://t.co/npHc3rwATh
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