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FIFA novamente acusada de práticas abusivas na venda de bilhetes para o Mundial. Queixa chegou à UE

Bilhetes mais baratos custam hoje mais de 3 mil euros, quando o preço médio inicialmente anunciado foi de 1.400. Entidade de futebol é ainda acusada de "publicidade enganosa".

A Euroconsumers - que integra a DECO PROteste - e a Football Supporters Europe (FSE) apresentaram uma queixa formal à Comissão Europeia contra a FIFA, alegando que a entidade de futebol abusou da sua posição para impor preços excessivos dos bilhetes para o Mundial2026. 

Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante sua participação no 68 Congresso
Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante sua participação no 68 Congresso GDA via AP Images

Segundo o grupo de defesa dos consumidores e a rede que representa adeptos de futebol, os bilhetes mais baratos disponíveis custam hoje "a partir de 4.185 dólares" (3.609 euros) - "mais de sete vezes o preço do bilhete mais barato para a final do Mundial de 2022". Anteriormente, a FIFA havia previsto "um preço médio de 1.408 dólares por bilhete" - valor que acabou por ser "largamente ultrapassado".

“O futebol é uma paixão universal, mas a FIFA trata-o como um luxo privado, explorando o seu monopólio absoluto da venda de bilhetes para o Mundial. Ao impor preços pouco transparentes, práticas desleais para pressionar os compradores e taxas de revenda exorbitantes, a FIFA está a impor um encargo financeiro injusto a milhões de adeptos europeus", refere o diretor de Litígios da Euroconsumers, Marco Scialdone, num comunicado a que a SÁBADO teve acesso.

"Publicidade enganosa"

Além dos preços alegadamente excessivos, a Euroconsumers e a FSE identificaram ainda outros "abusos". Entre a lista, estão alegadas práticas de "publicidade enganosa". No comunicado é referido que a FIFA anunciou bilhetes para a fase de grupos a 60 dólares (43 euros), mas na prática "eram tão escassos que todo o stock da Categoria 4 estava praticamente esgotado antes do início da venda ao público em geral".

"Isto não só deixou os adeptos desapontados, como também constitui publicidade enganosa, uma vez que se anunciou um preço que não estava realmente disponível. Esta prática é ilegal ao abrigo da legislação da UE em matéria de defesa do consumidor", recordam.

Aumento de preços descontrolado sem aviso

Foi ainda identificado um aumento de preços descontrolado sem aviso prévio. Segundo a Euroconsumers e a FSE, "os bilhetes subiram 25% entre as fases de venda". "Os adeptos não tinham forma clara de saber o preço final antes de entrarem na fila."

Lugares e equipas que não estão garantidas 

Segue-se ainda uma polémica com a localização dos lugares e até mesmo com as equipas que os adeptos pretendem ver jogar. Ao que parece, estes pressupostos "não são garantidos no momento da compra" e "em muitos casos, o direito a reembolso [é] limitado ou inexistente". "Os adeptos estão a gastar milhares de dólares sem saber o que vão receber", alertam.

FIFA desencoraja plataformas de revenda

É ainda referido que a FIFA está a desencorajar "as plataformas de revenda estabelecidas, considerando-as 'inseguras'". A entidade está a "direcionar os adeptos para o seu próprio mercado, onde tanto o comprador como o vendedor pagam uma comissão de 15%, o que aumenta significativamente o custo total para os adeptos". Só num "bilhete de 800 dólares, a FIFA ganha 240 dólares", refere o comunicado.

Decisões precipitadas

A Euroconsumers e a FSE acrescentam ainda que a FIFA está a obrigar os adeptos a "tomarem decisões precipitadas". Apelam, por isso, para que a  "Comissão Europeia intervenha imediatamente com medidas provisórias para pôr fim a estas práticas de exploração antes do início do campeonato de 2026”, solicitou Marco Scialdone.

Em contrapartida, sugerem que a FIFA congele os preços dos bilhetes já na próxima fase de vendas, que acontece em abril, e que divulgue pelo menos 48 horas antes quantos bilhetes restam para cada categoria e a localização exata dos lugares nos estádios.

A FIFA já tinha estado envolvida numa polémica, precisamente devido à venda de bilhetes a preços exorbitantes para este Mundial. Na sequência disso, foi anunciada uma quinta categoria cujos bilhetes custariam 60 dólares (51 euros) por jogo.

O Mundial realiza-se entre 11 de junho e 19 de julho deste ano, nos Estados Unidos, México e Canadá. 

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