Sábado – Pense por si

Tiago Freitas
Tiago Freitas Analista em Assuntos Europeus
10 de maio de 2026 às 07:55

Como a Ucrânia tornou-se uma potência e ninguém percebeu?

A superioridade ucraniana começou a surgir não na linha da frente, eternamente congelada, mas na profundidade. Refinarias russas, depósitos de combustível, cruzamentos ferroviários, aeródromos e fábricas passaram a ser atingidos por uma combinação de drones baratos, inteligência artificial e mísseis de longo alcance.

O discurso de Vladimir Putin no 9 de Maio, o dia mais sagrado do calendário político russo, a celebração da vitória na Grande Guerra Patriótica,  teve qualquer coisa de inesperado: soou a bandeira branca. Não houve chama épica, não houve demonstração esmagadora de força, nem sequer a liturgia militar que durante décadas serviu para reafirmar a ideia de uma Rússia invencível. Recorde-se que, em 2010, desfilaram na Praça Vermelha militares da Ucrânia, da Polónia, do Reino Unido e até dos Estados Unidos, numa memória comum da luta contra o nazismo. Em 2026, restou um Kremlin contido, quase defensivo.

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