Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo
09 de maio de 2026 às 08:00

Ética, responsabilidade e anonimização na era da inteligência artificial generativa

A consciência de uma máquina, na medida em que esta a tem, é a consciência que nela colocarmos.

Há uma falácia perigosa a circular nos corredores das organizações públicas e privadas portuguesas, e também além-fronteiras. Diz-se, com a leveza de quem repete um lugar comum, que a ética da inteligência artificial é uma matéria filosófica, distinta da engenharia e marginal à operação. Diz-se que cabe aos comités, aos gabinetes de conformidade, aos professores universitários. Diz-se, sobretudo, que se resolverá depois, quando a tecnologia estabilizar. Esta tese é falsa em todos os seus pressupostos e, mais grave, é operacionalmente perigosa. A ética da inteligência artificial não é uma camada de verniz aplicada sobre sistemas já construídos, é a própria estrutura de governação que determina se esses sistemas servem ou destroem direitos fundamentais, se preservam ou comprometem a confidencialidade institucional, se reforçam ou subvertem o Estado de direito.

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