Vacinação irregular na Cruz Vermelha já terá provocado mais demissões

Vacinação irregular na Cruz Vermelha já terá provocado mais demissões
Marco Alves 03 de fevereiro
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Edição de 25 de fevereiro a 3 de março
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Hospital não confirma ainda oficialmente a demissão do diretor clínico e da enfermeira chefe. Quanto a Francisco Ramos, detetou ontem in loco que havia pessoas que não deviam estar a ser vacinadas, mas não foi a tempo de evitar a administração da dose.

A Cruz Vermelha já chamou a Inspeção-geral das Atividades em Saúde (que ainda não chegou ao hospital) para apurar de quem é a responsabilidade do que aconteceu ontem.

Segundo fonte oficial informou a SÁBADO, a primeira fase de adiministração de vacinas contra a covid-19 começou ontem, terça feira (tendo-se estendido até hoje), no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Francisco Ramos, que acumula os cargos de coordenador da chamada task force do Plano de Vacinação contra a covid-19 e a presidência do comissão executiva da Cruz Vermelha, detetou nas listas de pessoal a ser vacinado naquele dia nomes estranhos ao serviço e que não cumpriam os requisitos. 

Ter-se-á deslocado ao local onde estavam a ser administradas as vacinas, mas não chegou a tempo de evitar as irregularidades. As pessoas em causa receberam a primeira dose e - seja qual for o resultado do inquérito que daqui vai resultar - irão receber a segunda dose daqui a sensivelmente três semanas. Pelo menos foi essa a posição de Francisco Ramos sobre as irregularidades cometidas noutros locais, um pouco por todo o país. Irregular ou não, ninguém ficará sem a segunda dose.

Entretanto, o economista e antigo secretário de estado António Nogueira Leite escrevia no Twitter que o diretor clínico da Cruz Vermelha, Manuel Pedro Magalhães, seu amigo, também se tinha demitido. A SIC Notícias diz que em causa está a vacinação de médicos já reformados ou que não exerciam no hospital há muitos meses.


O gabinete de comunicação da Cruz Vermelha referiu à SÁBADO que não pode confirmar oficialmente essa informação. O Jornal de Notícias avançou entretanto a demissão da enfermeira-chefe do hospital.

A Cruz Vermelha emitiu há poucos minutos um comunicado breve, onde adianta apenas que "f
oram vacinados 230 profissionais de saúde" e que "nos procedimentos de seleção dos profissionais a vacinar, foram detetadas eventuais irregularidades."

Franscico Ramos termina assim um curto mandato à frente da task force do Plano de Vacinação covid-19. O país ficou a conhecê-lo em dezembro, na cerimónia de lançamento do plano que teve várias falhas da sua parte, desde esquecer-se de nomes de pessoas que faziam parte da task force até falhas na apresentação multimédia. Em jeito de piada, acabou por dizer que a vacinação iria correr bem melhor do que a apresentação da mesma.

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No dia 30 de janeiro, mais uma polémica de Francisco Ramos, quando, em entrevista na SIC Notícias, referiu que só os eleitores de André Ventura (fazendo referência aos 500 mil votos do candidato do Chega nas recentes Presidenciais) é que não aceitariam que quem levou a primeira dose da vacina irregularmente fosse por causa disso impedido de receber a segunda dose.
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