Sushi especial para grávidas. Já ouviu falar?

Sushi especial para grávidas. Já ouviu falar?
Ana Taborda 01 de dezembro de 2017

Fruta, Sushi e legumes desinfectados. Durante dias liguei para 30 restaurantes - até descobrir - menus com ingredientes à prova de futuras mães.


Anos a fio a comer carnes maturadas – e sempre mal passadas –, um vício recente por tártaros, ceviches e outros crus potencialmente perigosos, experiências arriscadas com insectos na Madeira, a pior comida de sempre na Mongólia (que nem os cães locais conseguiu convencer), em suma, quase tudo o que me aparecia à frente… eu comia. Mais quatro anos a coabitar com duas gatas, a primeira vinda de um turismo rural alentejano com cães, campo e natureza variada, ambas a explorar um quintal com árvores de fruto e gatos que ocasionalmente o tentaram (e conseguiram) invadir. No fundo, lá bem no fundo, era como se a minha vida dissesse: "Vá, toxoplasmose, apanha-me agora, não me venhas estragar a gravidez com carne -só-bem-passada, legumes-e-saladas-o-melhor-é-em-casa e sushi -carpaccios-e-afins-evite-se-faz -favor." Nem assim. As análises eram clarinhas como água (e essa posso e devo beber à vontade): não há imunidade ao bicho. Ou melhor, ao parasita Toxoplasma gondii que causa uma infecção prejudicial ao feto e se apanha ao comer alguns alimentos crus ou mal cozidos e através do contacto com as fezes de gatos.

Só que o bicho não me conhece bem e está longe de imaginar que vou desistir à primeira. Vamos aos médicos. O primeiro especialista a quem perguntei: afinal pode-se ou não comer sushi, começou por me descansar, "essas bactérias e parasitas de que se fala no peixe? Nunca vi cá em Portugal, se quiser fazer sushi em casa não tenho nada contra". Então e fora, que a vida nem sempre dá para horas à volta de arroz e rolinhos? "Ah, isso é melhor não, não sabe onde é que eles cortam os legumes, podem usar a mesma tábua que o peixe e depois é tudo cru. Coma peixe grelhado que é muito melhor." E a conversa acabou por ali, porque uma sushi person é uma sushi person e percebe quando não tem um elemento do gangue do peixe cru à frente.

Além disso, era altura de ir ao Google e ver se havia quem "amukinasse" todos os potenciais transmissores de toxoplasmose e usasse peixe à prova de grávida. Foi assim que descobri não um, nem dois, mas três restaurantes que prometiam menus de sushi para futuras mamãs, um no Porto, os outros em Lisboa (com perto de 30 telefonemas para locais de repasto de tradição japonesa apareceriam outros, mas já lá iremos).
Comecei por aquele que, saberia dias mais tarde, foi o primeiro a ter esta opção em Portugal, o Sushic, neste caso o do Chiado, em Lisboa. A explicação foi simples: Hugo Ribeiro, o fundador, teve dois filhos em três anos e a ex-mulher não estava preparada para, entre gravidezes e amamentação, passar tanto tempo sem comer sushi. Foi ela a cobaia em 2015. "Fiz umas pesquisas e percebi que alguns restaurantes de Nova Iorque já o faziam. Depois de falar com médicos e com um nutricionista, lançámos o menu. É tudo feito à parte: usamos tábuas e facas diferentes e uma solução à base de cloro para desinfectar os legumes", explica. E o peixe? "Vai a um processo de frio por 72 horas. Todos os peixes são congelados, não arriscamos."

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