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Como são as férias dos portugueses? Trocaram o Algarve pelo litoral alentejano

Um estudo do IPAM avaliou de que forma os hábitos nacionais evoluíram nesta altura de veraneio. E há algumas surpresas, de 2019 para cá.

Apesar dos dias incertos e do aumento do custo de vida, 73% das 79% de pessoas que vão veranear, sairão da sua residência habitual. Esta é uma das principais conclusões do estudo Férias dos Portugueses 2019 ? 2026, O que mudou nos hábitos, no orçamento e nos destinos de férias de verão, levado a cabo pelo IPAM, Marketing Business School. Mafalda Ferreira, especialista em comportamento do consumidor, coordenou-o estudo durante o mês de junho, altura em que os alunos fizeram os questionários presenciais, junto de uma amostra de 450 portugueses, maiores de 18 anos.

O Algarve tem vindo a perder turistas nacionais
O Algarve tem vindo a perder turistas nacionais Vânia Martins

Metade dos turistas nacionais optam por fazer duas semanas de férias e recorrem ao subsídio para financiar as despesas, que, em média, se situam nos 750 euros por pessoa. "Há 77% de pessoas que não o usa para outros fins, como poupar", nota a professora.

A praia continua a ser valorizada, ainda que com uma quebra de 12 pontos percentuais face aos 59% de 2019. A procura por oferta cultural subiu um pouco, ficando agora nos 13 pro cento. O destino para pôr os pés no areal é que mudou - se antes, 48% dos portugueses rumavam a sul para as praias algarvias, agora o litoral alentejano recebe a preferência de 60%, enquanto que a zona de veraneio por excelência se fica pelos 30 por cento. E até a costa norte do País fica à frente do Algarve, no que toca à pergunta acerca do destino de praia (38%).

Para Mafalda Ferreira, estas escolhas não constituem grande espanto: "No Alentejo e no Norte, os preços são mais acessíveis e existe maior tranquilidade por oposição à enorme concentração de pessoas no Algarve, durante os meses de verão."

Quando vão para o estrangeiro, os portugueses optam por locais europeus (40%), com enorme destaque para o Sul de Espanha. Nesta escolha, volta a pesar a questão do preço, pois as ofertas nestas estâncias balneares são sempre mais acessíveis. A América do Sul, que em 2019 colhia a preferência de 2% de turistas, agora desaparece do rol de destinos.

Resta acrescentar que a pesquisa online aumentou de 67% para 86%, não querendo isso significar que de lá saiam obrigatoriamente compras. Como não podia deixar de ser, a Inteligência Artificial tornou-se um assessor neste processo, com um quinto das pessoas a recorrer a esta ferramenta digital. A professora do IPAM encontra aqui um recado para os operadores turísticos: "As ofertas massificadas terão dificuldades em sobreviver a esta era da costumização."

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