Aretha Franklin: uma história de Respect

Carolina R. Rodrigues 17 de agosto de 2018

A "Rainha do Soul" faleceu esta quinta-feira com 76 anos, após batalhar contra um cancro no pâncreas.

Respect não é só uma das músicas mais conhecidas de Aretha Franklin, muito menos apenas o tema que catapultou a artista para fama e tornou-a icónica. Pelo contrário, Respect tem tantas nuances de significado e simbologia que quase se pode escrever uma pequena tese sobre a canção: "Respect e a reivindicação do feminismo nos anos 60" ou "Respect: o hino dos direitos civis" poderiam ser alguns dos títulos possíveis para explicar exactamente a influência desta curta música embutida de significados intemporais.

Quando Otis Redding escreveu e interpretou a canção em 1965, fê-lo com um propósito totalmente diferente do que Aretha Franklin veio a realizar dois anos depois, na altura sem se aperceber inicialmente que viria a produzir uma das melhores reinvenções da história musical. Respect de Redding tratava-se de uma espécie de reclamação de um homem que trabalha o dia inteiro e exige respeito da sua esposa, dona-de-casa, num teor que poderia ser considerado algo machista hoje em dia, mas típico dos valores culturais e morais da altura - em que era normal que se exigisse um "pouco de respeito" às mulheres. "Estou prestes a dar-te todo o meu dinheiro/ e tudo que peço, ei/ Um pouco de respeito quando venho para casa", cantava Otis Redding na década de 60.

Aretha Franklin recusou este significado e decidiu dar-lhe um totalmente novo, sentada ao piano de um estúdio da Atlantic Records no dia de São Valentim de 1967: a canção passou a ser sobre uma situação totalmente diferente e profundamente corajosa para época em questão – as mulheres é que mereciam respeito por parte dos homens, sendo seres dotados das mesmas capacidades e possibilidades que o sexo oposto e por isso tão merecedoras de "um pouco de respeito" como todos os Otis do mundo.

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