Investimento no SNS permitiu retorno de 7,5 mil milhões para a economia

Lusa 03 de maio
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Estudo foi desenvolvido pela NOVA-IMS e avalia não só a evolução da sustentabilidade do SNS, mas também o SNS do ponto de vista do utilizador. O "Índice de Saúde Sustentável" é apresentado esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O investimento no Serviço Nacional de Saúde em 2021 permitiu um retorno de 7,5 mil milhões de euros para a economia, graças ao impacto dos cuidados de saúde no absentismo e na produtividade, conclui um estudo hoje divulgado.

"Houve um aumento que tem algum significado, face ao ano anterior, neste retorno, que é tributário de duas coisas: de um contributo mais significativo na redução do absentismo e da melhoria da produtividade (...) e também do facto de o custo do trabalho diário em Portugal ao longo dos anos ir aumentando progressivamente e, por essa via, acaba por se refletir num retorno para a economia", explicou à agência Lusa o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho.

Segundo os dados do Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido pela Nova Information Management School, este retorno foi superior - mais 700 milhões - ao valor apurado em 2020 - 6,8 mil milhões.

De acordo com os dados do estudo, a que a Lusa teve acesso, a maioria dos portugueses faltou pelo menos um dia ao trabalho em 2021 por motivos de saúde e 17% faltaram mais de 20 dias. No entanto, a prestação de cuidados de saúde pelo SNS permitiu evitar uma ausência laboral equivalente a 2,8 dias representando uma poupança superior a mil milhões de euros.

O SNS permitiu ainda evitar 9,9 dias de trabalho perdidos em produtividade, resultando numa poupança de 3,9 mil milhões de euros. No total, somando o impacto no absentismo e na produtividade, o SNS permitiu uma poupança global de cinco mil milhões de euros por via dos salários.

Considerando o impacto dessa poupança, por via dos salários, e a relação entre produtividade/remuneração (valor referência do INE), o estudo conclui que os cuidados prestados pelo SNS permitiram um retorno para a economia de 7,5 mil milhões.

Os dados indicam também que o índice de sustentabilidade do SNS - que tinha caído no primeiro ano da pandemia - subiu em 2021 para 92,5 pontos, uma escalada explicada pela subida simultânea da qualidade percecionada e da qualidade técnica e por um significativo aumento da atividade (13%), que foi superior ao aumento da despesa (8%) e levou a um aumento da produtividade.

"Percebemos que 2021 é um bocadinho um ano de recuperação do covid e por ter sido um ano de recuperação há uma subida impressionante da atividade", disse Pedro Simões Coelho, sublinhando-o que se estimam valores acima dos verificados na época pré-pandemia.

"Simultaneamente, temos um crescimento da despesa, mesmo que corrigida com a dívida vencida, que é na casa dos 9% e, portanto, é inferior ao crescimento da atividade. Ora é exatamente isso que se deseja: um crescimento da atividade a uma taxa superior à da despesa, o que significa um aumento de produtividade", acrescentou.

Pedro Simões Coelho recorda ainda que esta subida de produtividade, que impulsionou o crescimento do Índice de Saúde Sustentável, "é um pouco irrepetível, pois surge no seguimento de um ano pós-covid", e diz que, no futuro, novos ganhos de produtividade "não podem ser conseguidos senão à custa de restruturações, mudanças e aumentos de eficiência do sistema".

A nota negativa diz respeito ao crescimento da dívida vencida no final do ano (em 2%), "mas que não é suficiente para impactar com significado a evolução do índice", refere o estudo.

"Este aumento do deficit ainda não teve expressão na dívida vencida, que está mais ou menos constante e subiu 2%. O que significa que se conseguiu gerir o deficit de forma que ele não fosse passado para os fornecedores", considerou, alertando: "a prazo, das duas uma - ou terá de ser financiado ou acabará por se refletir em dívida vencida.

Os dados indicam também que a despesa aumentou significativamente (8%) e realçam o crescimento substancial do deficit (+276%).

O trabalho, desenvolvido pela NOVA-IMS em colaboração com a AbbVie, Diário de Notícias e TSF, avalia não só a evolução da sustentabilidade do SNS, mas também o SNS do ponto de vista do utilizador. Identifica pontos fracos e fortes, bem como possíveis áreas prioritárias de atuação, além de procurar compreender os contributos económicos e não económicos.

Os dados divulgados esta terça-feira apontam para um ligeiro aumento da qualidade dos serviços de saúde percecionada pelos cidadãos (+0.7 pontos face ao ano anterior) e um considerável aumento na qualidade técnica, que passou dos 55,7 para os 63,4 pontos, valor superior aos registados no período pré-pandemia, em 2019 (58,8 pontos).

A avaliação dos portugueses do seu estado de saúde também melhorou: 77% considera o seu estado de saúde "bom" ou "muito bom", uma percentagem superior à registada no ano anterior (59,8%).

Numa escala de 1 a 100, os portugueses classificam o seu estado de saúde com 75,7 pontos. Sem o efeito do SNS, o índice do estado de saúde ficaria pelos 63,2 pontos.

Contudo, mais de metade (53%) considera que o seu estado de saúde afeta negativamente a sua qualidade de vida, 47% considera que o seu estado de saúde provoca ansiedade ou depressão/dor ou mal estar, 45% diz que dificulta a realização de tarefas diárias (pessoais ou profissionais) e 43% que dificulta a sal mobilidade.

O Índice de Saúde Sustentável é apresentado esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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