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"Irrequieta" por natureza, concilia trabalho com vida académica - e já partiu o nariz a fazer rugby. Já tinha desabafado ter sido assediada por alguém "muito influente na IL" em 2024
O ano de 2022 foi um ano agitado para Inês Bichão. Além de se tornar tornar mestre em Direito Administrativo pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, a advogada foi nomeada assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal, a 18 de abril. Nas legislativas de 2022, a 30 de janeiro, os liberais, sob a liderança de João Cotrim Figueiredo, tinham acabado de conquistar um grupo parlamentar de sete deputados, uma subida significativa face a 2019. Volvidos seis meses à nomeação, João Cotrim Figueiredo deixa subitamente a liderança. Anunciou que não iria ser recandidato na VII Convenção do partido para dar “oportunidade a uma nova liderança de estar em funções com suficiente antecedência em relação aos próximos atos eleitorais”. “A estratégia para que o partido continue a crescer deve ser diferente daquela que o fez crescer de forma significativa até agora“, acrescentou então.
Inês Bichão foi assessora da IL entre abril de 2022 e outubro de 2023Linkedin
Cotrim continuou como deputado até ao fim do mandato, mas Bichão não aguentou até ao fim da legislatura. A 2 de outubro de 2023, demitiu-se. Ou como se lê no despacho, "é exonerada, a seu pedido". Desta fita do tempo, entre abril de 2022 e outubro de 2023, resta uma incógnita. Em 2026, com Cotrim de Figueiredo entre os principais candidatos a passar à segunda volta das Presidenciais, a advogada, de 30 anos, disse na rede social Instagram, para um grupo restrito de amigos, ter sido vítima de assédio sexual do antigo líder liberal, acusando-o de proferir afirmações como "só falta abrires as pernas comigo", "de que tipo de homens gostas?" ou "mais grossa ou mais comprida?". O liberal refuta por completo a acusação: "A calúnia que circula sobre o meu alegado comportamento é totalmente destituída de fundamento. É de uma gravidade que não pode ser deixada passar sem reação", afirmou, deixando a promessa de a processar por difamação, o que ainda não aconteceu até à publicação deste artigo.
A "irrequieta"
"Trabalhadora" e "cumpridora", como descrevem dois conhecidos, o caminho de Inês Margarida Almeida Bichão Simões Ferreira é de esforço profissional. Licenciada em Direito, pela Universidade de Lisboa. Tirou o curso em 2017, e nos meses seguintes concluiu na Universidade Católica de Lisboa uma série de pós-graduações: 'Direito da Concorrência e Regulação', 'Teoria e Prática do Contencioso Administrativo' e 'Contratação Pública'. Ao mesmo tempo que prosseguia a carreira académica, conciliava com a vida de advogada: sob orientação de Paula Lourenço, advogada mediática, conhecida pela defesa Carlos Santos Silva na Operação Marquês, Inês Bichão estagiou na Germano Marques da Silva & Associados. Após concluir o estágio, inscreveu-se na Ordem dos Advogados em 2020, acabando por exercer Direito Público.
Cresceu em Viseu, onde frequentou a Escola Secundária Alves Martins, onde dirigiu um jornal escolar. Sempre proátiva, é conhecida por ser "irrequieta". "Está metida em várias coisas em simultâneo", conta uma colega de faculdade. Ora trabalha, ora estuda, ora faz desporto - tudo ao mesmo tempo. Enquanto trabalhava na Iniciativa Liberal, terminava um mestrado em Direito Administrativo pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, para depois começar um caminho num doutoramento em Ciências Jurídico-Políticas, especialização em Direito da União Europeia, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde ainda cursa. Fez kickboxing e rugby, onde chegou a partir o nariz. Pelo meio, o seu currículo ainda revela passagens por especializações em duas conceituadas faculdades: a European University Institute, em Florença, Itália; e a London School of Economics.
O episódio da Feira do Livro
Inês Bichão não respondeu aos pedidos de contacto da revista SÁBADO. Contudo, o currículo mostra que, após sair do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal no fim de 2023, terá feito um hiato profissional e dedicou-se à vida académica. Um ano e meio depois, regressou à vida profissional: foi nomeada técnica especialista no gabinete do secretário de Estado do Ambiente do XXIV Governo Constitucional e, mais tarde, do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, onde está agora. Durante o hiato, não se terá esquecido das alegadas queixas: na Feira do Livro de 2024, as académicas Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque apresentaram um livro "Me too: um segredo muito público - assédio sexual em Portugal" e, segundo as próprias, numa publicação de Facebook, Inês Bichão terá contado às autoras "como estava a passar uma fase difícil da sua vida devido às situações de assédio sexual de que era alvo por alguém muito influente na IL".
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