Sábado – Pense por si

Contos Clássicos Portugueses


agora disponíveis para ler e ouvirContos Clássicos PortuguesesAceder aqui

Presidenciais 2026: A noite em que Ventura perdeu (quase) todas as narrativas

As mais lidas

Diz que cresceu e que é líder da Direita, mas não ultrapassou a AD em número de votos, nem mobilizou o eleitorado. A derrota presidencial de Ventura foi das mais atípicas que há memória no Chega.

Para quem acompanha as noites eleitorais do Chega, foi uma noite atípica. Foi à missa, mas chegou tarde ao Hotel Marriott, quartel-general de André Ventura desde 2021. Não houve receção apoteótica no lobby, como de costume, porque decidiu entrar pela garagem, o que é raro (ou até inédito). E o primeiro berro da noite foi pelo golo de Anísio Cabral, que marcou a reviravolta do . E só falou já perto do fim da noite eleitoral, em cima do palanque. Na noite em que André Ventura perdeu a segunda volta das presidenciais para António José Seguro com metade dos votos do adversário – e contra a maior votação da história da democracia em números absolutos, ultrapassando Mário Soares nas presidenciais de 1991 –, o líder do Chega admitiu ‘a não vitória’ (nunca usou a palavra derrota) e procurou alavancar a narrativa que o favorecesse.

André Ventura depois do discurso de derrota
André Ventura depois do discurso de derrota TIAGO PETINGA/LUSA

“Superámos a percentagem da AD [nas últimas legislativas]. É justo dizer que, não tendo vencido, os portugueses colocaram-nos no caminho para governar o país”, afirmou o líder do Chega. “Acho que a mensagem dos portugueses foi clara: lideramos o espaço da direita em Portugal – e vamos em breve governar este país”, concretizou. O diabo está nos detalhes: não consegue dizer que ultrapassa a AD em número absoluto de votos, mas consegue dizer que ultrapassou a AD de Montenegro nas legislativas; não consegue dizer que o povo não foi claro, porque, além da votação expressiva em Seguro, o número de votos brancos foi diminuta e a abstenção em linha com a primeira volta; não consegue dizer que capitalizou os votos da direita, mas consegue dizer que aumentou a votação. “Não vencemos e o reconheço que temos de fazer mais, que a mudança faz falta. Mesmo não tendo vencido, este movimento, este partido, esta força, teve o seu maior resultado nesta historia”, afirmou.

"Líder da Direita"? Os números dizem o contrário

Com o adiamento da votação em algumas autarquias e freguesias, que abrange cerca de 37 mil eleitores, segundo dados da Comissão Nacional de Eleitores, os números mostram as nuances desta eleição. Por um lado, André Ventura subiu a votação: com mais de 1,7 milhões de votos, conseguiu subir mais 300 mil votos do que nas legislativas, o que significa que tem novos eleitores. Por outro lado, Ventura assume-se como líder da direita em Portugal – argumenta que teve uma maior percentagem do que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, nas últimas legislativas – mas não conseguiu galvanizar os eleitores de direita, que representam um universo de mais de dois milhões de votos, nas legislativas e na primeira volta das presidenciais. Ou seja, Ventura continua a crescer, é um facto, mas a taxa de rejeição por todo o País (em especial na direita, área política que se propõe a liderar) ainda é considerável. Perdeu em todos os distritos do País, só venceu em dois concelhos, Elvas e São Vicente.

Aritmética à parte, Ventura acredita que continua no caminho para vencer São Bento, o seu grande “projeto de mudar Portugal”. “Com um sistema inteiro contra nós procurámos convencer, mobilizar. Com uma parte do país, com Bruxelas contra nós, conseguimos ainda assim o melhor resultado de sempre. Não vencemos, mas estamos no caminho dessa vitória”, afirmou. 

António José Seguro foi eleito, este domingo, Presidente da República de Portugal, alcançando um resultado histórico e tornando-se o candidato mais votado de sempre em eleições presidenciais no país. De acordo com os resultados provisórios da segunda volta, Seguro , superando o recorde anterior de Mário Soares.