Obteve o maior número de votos em eleições Presidenciais. Resultado torna-o “mais exigente”, mas garante que não terá adversários no parlamento e em São Bento. "Não será por mim que [legislatura] será interrompida."
António José Seguro quis chegar
a Belém “à Soares” (que venceu as Presidenciais de 1986 na segunda volta). Mas
fez melhor: passados 11 anos fora da política, foi eleito Presidente da República, neste domingo, 8, com o maior número de votos de sempre nesta eleição (ultrapassou os 3.459.521 que Mário Soares obteve na reeleição, em 1991). O recorde aumenta a sua responsabilidade e servirá para lhe dar mais "força junto do Governo e dos partidos" tendo em vista a "cultura de compromisso" que quer criar, explicou no discurso de vitória.
António José Seguro eleito presidenteEPA/JOSE COELHO
Perante uma casa cheia, no Centro de Congressos das Caldas da Rainha, o Presidente eleito admitiu que "esperava a confiança dos portugueses", mas "não desta grandeza" (obteve mais de 3.480.000 votos). "Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, declarou, reafirmando a sua vontade de ser o Presidente de "todos, todos, todos os portugueses", os que votaram em si, os que votaram no seu adversário e os que ainda não votaram nos concelhos mais afetados pelo mau tempo, acrescentando uma palavra para André Ventura. "A partir de hoje, deixamos de ser adversários e temos agora o dever de trabalhar juntos para um Portugal mais desenvolvido e mais justo."
Lealdade que estendeu a todos os partidos e ao Governo de Luís Montenegro, reafirmando a sua intenção de independência, liberdade e transparência. Questionado sobre a sua relação com o PS, Seguro demarcou-se ("a vida do PS é com o líder do PS") e garante que não fará política de trincheiras em Belém.
"Jamais serei um contrapoder. Não serei oposição, serei exigência. Serei leal e haverá uma cooperação institucional", defendeu Seguro, insistindo na meta da estabilidade. "Não será por mim que ela [legislatura] será interrompida", respondeu aos jornalistas.
Depois de várias eleições sucessivas, Seguro olha para os próximos três anos como "uma oportunidade única" para o Governo pensar além do imediato e responder a questões estruturais como a saúde, a habitação, a pobreza. Deseja "soluções" e promete: "estarei vigilante." Nomeadamente, em relação à entrega dos apoios às comunidades mais afetadas pelas tempestades das últimas semanas. Foi com uma palavra para as 15 vítimas mortais que iniciou o seu discurso de vitória. A todos os afetados disse: "não esquecerei e não vos abandonarei."
Um presidente presente, que falará menos (em público), mas estará alerta e com propostas estruturais para o País: é assim que Seguro quer ficar na História. Conseguirá?
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