Parque escolar: uma viagem pelas escolas-estaleiro em Portugal

Parque escolar: uma viagem pelas escolas-estaleiro em Portugal
Sara Capelo 14 de outubro de 2018

Registam-se infiltrações e mantas no colo também. Para alguns alunos que têm estudado em contentores, a promessa é que as obras arrancam em breve. Mas, nas básicas, muitas já começaram.

Ainda não será este Inverno. Assim que o frio chegar, as alunas do Liceu Camões vão voltar a levar mantas para colocarem sobre as pernas durante as aulas. E continuarão a partilhá-las "solidariamente" com os colegas rapazes que também se querem aquecer do frio nas salas da secundária, inaugurada há 109 anos no centro de Lisboa.

É assim há muito, relata o director João Jaime, que há uma década aguarda pela Parque Escolar, um programa de renovação das secundárias promovido pelos governos de José Sócrates. O edifício projectado pelo republicano Ventura Terra tem infiltrações, janelas que não fecham e fissuras (descritas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil já em 2012). As obras (orçamentadas em cerca de 12,5 milhões) deverão arrancar, na "melhor das hipóteses", em Janeiro de 2019 e, "na pior", lá para Abril, diz João Jaime. Dez anos depois do previsto.

O programa esteve suspenso durante o governo PSD/CDS, liderado por Pedro Passos Coelho, que argumentou com os gastos do programa e a crise. Como consequência, os concursos em inúmeras escolas, como no Camões, não avançaram e ficaram parados os trabalhos que já se tinham iniciado em outras 14, como a Secundária de Amarante (onde as obras já foram concluídas) e a do Monte da Caparica ou a Básica do Parque das Nações, onde o início das obras está previsto para os próximos meses. O Ministério da Educação refere à SÁBADO que serão gastos 259 milhões de euros em mais de "duas dezenas de escolas" secundárias. E somam-se ainda mais 350 milhões em 500 intervenções (300 em escolas do pré-escolar e 1º ciclo e 200 dos ciclos seguintes) no âmbito dos Programas Operacionais Regionais, afectos ao Portugal 2020. E outros 29 milhões, do Orçamento do Estado, para obras de beneficiação noutras 200. Os estaleiros continuarão instalados nas escolas. E sobretudo as básicas "precisam de intervenções urgentes", sublinha Manuel Pereira, que preside à Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). 

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