Padre de Oeiras diz-se enganado pelo Chega de André Ventura

Sacerdote relata que foi contactado para uma doação, mas comitiva do Chega não o avisou do teor político da entrega de produtos alimentares num lar. "Fazer publicidade de caridade é esquisito para todos."

O padre Pedro Coutinho já estava avisado: um amigo próximo ligou-lhe a avisar que ia passar pelo lar de Nossa Senhora do Amparo para doar alguns produtos básicos, como caridade nestes tempos de pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O que o sacerdote não sabia é que quem lhe entregaria esses produtos seria uma comitiva do Chega, liderada pelo presidente e deputado André Ventura, que posaria para fotografias a segurar leite e fraldas para incontinência. 

"Não imaginei que fossem de coisas políticas. Fiquei chateado", disse o sacerdote à SÁBADO. A chamada que recebeu veio de Manuel Matias, assessor do Chega e presidente do Partido Pró-Vida (PPV). "Ligou para saber se eu precisava de coisas e eu disse que tudo é bem vindo", descreveu. "Mas não ficou explicito que seria uma ação [do Chega]", acrescentou. 

Também o presidente da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas, Inigo Pereira (da coligação Inovar Oeiras de Volta, de Isaltino Morais), queixou-se nas redes sociais do sucedido. "Quando tivemos conhecimento da visita de André Ventura, líder do partido Chega ao Lar da Nª S.ª do Amparo, em Carnaxide, não quisemos acreditar", começou. "Em primeiro lugar, por que o deputado do Chega vinha acompanhado da sua comitiva, que ultrapassava largamente o previsto no decreto que regulamenta o estado de emergência, violando a Lei", concretiza. 

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