Os milhões da Europa roubados com autorização do Estado

Os milhões da Europa roubados com autorização do Estado
Eduardo Dâmaso 07 de março

A "bazuca" da União Europeia está a caminho de Portugal, mas o passado dos fundos comunitários revela um histórico de fraudes. Recorde os casos do Fundo Social Europeu

Os fundos comunitários foram uma verdadeira benesse para o Portugal atrasado e analfabeto que saiu da ditadura salazarista. Mas foram uma dádiva muitíssimo generosa que, no entanto, começou com um lodaçal gigantesco de fraudes, sobretudo no Fundo Social Europeu, entre 1986 e 1988. Agora que Portugal vai começar a receber a tal ‘bazuca’ de dinheiros europeus, qualquer coisa como 45 mil milhões de euros em subvenções, que podem ir acima dos 60 mil milhões com empréstimos garantidos pelo Estado, a SÁBADO revisitou esses anos e conta-lhe a história dos anos negros dos fundos europeus.

Entre 1986 e 2013 Portugal recebeu 53 mil milhões de euros só para o FSE e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Mas, segundo as contas do Banco de Portugal, a totalidade dos fundos, que iam do FSE e do FEDER a outros para a agricultura e indústria, como o FEOGA e o PEDIP, terá sido responsável pelo envio de 130 mil milhões de euros entre 1986 e 2018, a preços de 2011.

Com o dinheiro da Europa, Portugal construiu autoestradas, pontes, hospitais e modernizou as principais infraestruturas do país. Mas não qualificou os portugueses nem eliminou, ou sequer atenuou, as desigualdades entre o litoral e o interior. Os muitos milhões desses primeiros três anos evaporaram-se e criaram fortunas privadas ou engordaram outras que já existiam. Tudo convergiu para cavar um dos mais fundos alicerces do pântano português.

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