O poder absoluto mudou António Costa e Rui Rio?

O poder absoluto mudou António Costa e Rui Rio?
Margarida Davim 13 de janeiro

Governaram em minoria antes de poder prescindir de acordos nas câmaras de Lisboa e do Porto. O estilo como autarcas pode dar pistas sobre o que farão no País.

A correr para uma maioria a que não gosta de chamar absoluta, António Costa usa os pergaminhos do seu passado de autarca para garantir que o poder não o mudará. “É que eu já governei em maioria e em minoria e não foi isso que mudou o António Costa. O António Costa foi sempre o mesmo, eu sou uma pessoa de consensos, de compromissos, de diálogo e em qualquer circunstância”, garantiu num dos debates. Mas será mesmo assim? E será que o mesmo se aplica a Rui Rio?

Há quem garanta que António Costa não mudou quando passou a ter maioria absoluta na Câmara e na Assembleia Municipal de Lisboa (AML). “Eu gostava de dizer que sim, mas não”, responde o social-democrata Vítor Gonçalves, que diz ter feito sempre “uma oposição aguerrida” a Costa. A tática que o então edil usou com o PSD – que no seu primeiro mandato tinha maioria na AML – foi envolver os vereadores da oposição em algumas das soluções que ia depois levar a votos, chamando-os a participar no processo de decisão.

Mas quem estava no executivo com Costa, num acordo pós-eleitoral, tem uma visão diferente. Pedro Soares, do BE, descreve o pelouro dado a José Sá Fernandes para garantir a maioria na vereação no primeiro mandato, como “um abraço de urso”, que acabaria com o independente a sair das listas bloquistas para as do PS. “Costa não se dá muito bem com a possibilidade de maiorias plurais”, critica Soares. “Foi o que aconteceu na geringonça, passou a tratar o PCP e o BE como dependentes.”

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